A emocionante soltura de pinguins reabilitados no Ceclimar

VÍDEO: A emocionante soltura de pinguins que foram salvos e reabilitados no Ceclimar

As aves marinhas passaram por intensos cuidados veterinários para estarem em condições de seguirem suas trajetórias pelo Atlântico Sul
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Pinguins foram soltos em Tramandaí após reabilitação no Ceclimar, em Imbé. Foto: PMP-BP / Ceclimar

Um grupo de pinguins-de-magalhães resgatado nas praias do Litoral Norte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina retornou ao mar nesta semana. São seis animais juvenis que voltaram ao oceano Atlântico Sul para dar continuidade às suas primeiras migrações.

A soltura ocorreu na última quinta-feira (27), cerca de dois quilômetros ao sul da Plataforma Marítima de Tramandaí. A equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP/Ceclimar) acompanhou a entrada dos pinguins no mar e o início do deslocamento até mais de 300 metros da costa com o uso de um drone. [veja o vídeo no fim da matéria]

As aves marinhas foram soltas após passarem por cuidados veterinários no Centro de Reabilitação de Animais Marinhos e Selvagens (Ceram), vinculado ao Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar/UFRGS), em Imbé. Eles haviam sido resgatados após encalharem em praias do RS e de SC.

Os pinguins que encalharam na costa gaúcha chegaram ao Ceram entre o fim de maio e início de junho. Eles estavam magros, desidratados e anêmicos. Alguns apresentavam lesões de pele compatíveis com interação com a atividade pesqueira, enquanto um deles estava com as penas sujas de óleo.

Já as aves vindas de Santa Catarina foram encaminhadas para finalizar tratamentos e passar pelas etapas de reabilitação, com fisioterapia de nado e condicionamento físico.

Aves marinhas passaram por atendimento veterinário após encalhes. Foto: PMP-BP / Ceclimar

Processo de reabilitação

A médica-veterinária do Ceram, Raquel Leite Urbano, explicou que os animais receberam hidratação e suporte intensivo para estabilização. “O pinguim recebido oleado passou por um procedimento de lavagem para que todo o óleo fosse removido do seu corpo”, completou.

Segundo Raquel, as aves marinhas passaram por manejo alimentar para ganho de peso e tratamento clínico durante todo o processo. “Ao longo do tratamento, alguns animais também realizaram sessões de laserterapia e fisioterapia, além de atividades para recuperar o condicionamento físico e a capacidade de nadar”, relatou.

Espécie migratória e monitoramento

Pinguins-de-magalhães fazem longas viagens até a costa brasileira. Foto: PMP-BP / Ceclimar

Os pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) migram da Patagônia Argentina, onde se reproduzem, rumo à costa brasileira em busca de alimento. A presença dessas aves na região Sul do Brasil é mais frequente durante os meses de inverno.

Ao contrário de mamíferos marinhos como lobos e leões-marinhos, os pinguins não saem da água para descansar na areia; quando chegam à praia, é sinal de que estão debilitados e necessitam de atendimento.

O PMP-BP conta com o auxílio da comunidade para identificar encalhes de fauna marinha no Litoral Norte gaúcho. Ao encontrar um animal marinho na praia, vivo ou morto, a orientação é não se aproximar, não tocar e jamais tentar devolvê-lo ao mar. O contato para resgate deve ser feito pelo WhatsApp (51) 3308-1263.

Veja o momento da soltura do pinguins

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