Secretário do governo do RS, ex-prefeito, é alvo de operação da PF

Operação Lamaçal mira desvios de recursos federais destinados a um município gaúcho durante a enchente que assolou o Rio Grande do Sul em 2024; TRF4 expediu 35 mandados de busca e apreensão.

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TRF4 expediu 35 mandados de busca e apreensão. Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal, com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou, na manhã desta terça-feira (11), a Operação Lamaçal. O objetivo é apurar crimes contra a administração pública e lavagem de capitais oriundos do desvio de recursos públicos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS).

As verbas foram repassadas à Prefeitura de Lajeado em razão das enchentes ocorridas em maio de 2024. Foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, além do sequestro de 10 veículos e do bloqueio de ativos no valor de quase R$ 4,5 milhões.

Um dos alvos da Operação Lamaçal é o secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do Rio Grande do Sul, Marcelo Caumo. A investigação apura contratos firmados durante a gestão dele à frente da Prefeitura de Lajeado, cargo que ocupou entre 2017 e 2024.

Marcelo Caumo. Foto: redes sociais

Conforme a PF, no decorrer do inquérito policial, foi possível verificar irregularidades em procedimento licitatório realizado pela Prefeitura Municipal de Lajeado para a contratação de empresa, tendo como objeto a prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista.

A dispensa da licitação foi realizada com a justificativa do estado de calamidade pública declarado pelo município em 2024. A corporação afirma que há indícios de que a contratação direta da empresa investigada tenha ocorrido sem observância da proposta mais vantajosa e que os valores contratados estariam acima do valor de mercado. O valor total dos dois contratos inicialmente levantados no curso do inquérito policial soma aproximadamente R$ 120 milhões.

Os investigados poderão responder pelos crimes de desvio de verbas públicas, crimes em licitações e contratos administrativos, bem como por lavagem de capitais.

As buscas aconteceram nos municípios de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Guaporé, Carlos Barbosa, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Porto Alegre.

Nota do Governo do RS

“À época dos fatos relatados, Marcelo Caumo atuava na administração municipal na cidade de Lajeado. Ainda que a apuração seja sobre contratos firmados antes do ingresso dele no quadro do Executivo estadual, o governo reforça sua absoluta disposição para auxiliar a Polícia Federal na investigação dentro do que for possível. O governo do Estado aguardará os desdobramentos da apuração, resguardando o direito de defesa e contraditório dos envolvidos“.

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