
O governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), anunciou, nesta quinta-feira (05), a contratação do serviço de batimetria para novos blocos, incluindo os rios e lagoas do Litoral Norte. O investimento será de R$ 7,8 milhões, com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).
O anúncio foi realizado pelo governador Eduardo Leite durante a abertura da Assembleia de Verão da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), na Associação dos Amigos da Praia de Torres (SAPT), no munícipio de Torres.
O estudo irá subsidiar decisões técnicas sobre futuras intervenções de desassoreamento e contribuir para o aprimoramento do sistema de alerta de inundações no Estado.
A batimetria consiste em medições detalhadas do relevo submerso de rios e lagoas. A partir desses dados, é possível elaborar modelagens hidrodinâmicas – simulações que permitem compreender com maior precisão o comportamento do fluxo de água, especialmente durante eventos extremos.

“Estamos ampliando o conhecimento técnico sobre os nossos rios e lagoas para que o Estado possa agir com mais precisão diante dos eventos meteorológicos extremos. A batimetria permite entender com profundidade o comportamento da água e orientar decisões mais seguras sobre desassoreamento e gestão hídrica”, afirmou Leite, que destaca que o investimento é parte do esforço do Plano Rio Grande para reconstruir e preparar o Rio Grande do Sul para o futuro, com planejamento, ciência e prevenção.
Bloco 8a
Planície Costeira (Tramandaí porção Norte) contempla a parte norte da bacia hidrográfica do Tramandaí, incluindo a Lagoa dos Quadros, a Lagoa dos Barros, o Rio Três Forquilhas, o Rio Maquiné e os sistemas fluviais e lagunares associados às suas conexões naturais.
Bloco 8b
Planície Costeira (Tramandaí porção Sul) compreende o conjunto de lagoas localizadas na parte Sul da bacia do Tramandaí, incluindo o Rio Tramandaí, a Lagoa da Pinguela, a Lagoa do Peixoto, a Lagoa do Marcelino, a Lagoa da Fortaleza, a Lagoa do Gentil e a Lagoa das Custódias, além dos canais naturais de ligação e demais corpos hídricos interconectados ao sistema lagunar.
Bloco 4
Montante Jacuí abrange as bacias do Alto Jacuí, Pardo e Vacacaí–Vacacaí Mirim, contribuindo para a consolidação dos estudos na Região Hidrográfica do Guaíba.
Empresas e prazos
As empresas contratadas por meio de processo licitatório, conduzido pela Sema, terão prazo de seis meses para executar as medições. O Bloco 8a será realizado pelas empresas Carbon Sul Sustentabilidade Ltda. e Ambilec Oceanografia e Hidrografia Ltda. O Bloco 8b ficará sob a responsabilidade da Precursore Engenharia Portuária e Hidrográfica Ltda. O Bloco 4 será conduzido pela Aquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental Ltda.
Etapa fundamental
Durante o anúncio, a titular da Sema, Marjorie Kauffmann, destacou que a batimetria é uma etapa fundamental para qualificar as decisões técnicas do Estado.
“Com dados precisos sobre o relevo submerso e o comportamento dos sistemas lagunares, conseguimos aprimorar o planejamento e a gestão de eventos hidrológicos críticos, com intervenções mais seguras, eficientes e baseadas em evidências. Além disso, esses estudos fortalecem o sistema de alerta de inundações, por meio de modelagens que simulam o comportamento da água em diferentes cenários e ampliam a capacidade do Estado de responder a eventos extremos com mais agilidade e prevenção”, afirmou.
Avanço
A contratação anunciada permitirá cobrir integralmente a Bacia Hidrográfica do Litoral Norte e avançar na finalização dos estudos na Bacia Hidrográfica do Guaíba.
Resultados prévios
Os levantamentos batimétricos nas quatro regiões prioritárias do Eixo 2 do Programa Desassorear RS, voltado aos rios de grande porte e sob responsabilidade da Sema, tiveram início em julho de 2025 e já se encontram em fase final de execução.
A iniciativa integra as estratégias do Plano Rio Grande, programa de Estado liderado pelo governador Eduardo Leite, criado para proteger a população, reconstruir o Rio Grande do Sul e torná-lo ainda mais forte e resiliente, preparado para o futuro.
A batimetria do Bloco 1 (Eixo Metropolitano), Bloco 2 (Taquari-Antas), Bloco 6 (Baixo Jacuí) e Bloco 7 (Guaíba) têm nova previsão de conclusão em junho de 2026.
Como funciona a batimetria
A batimetria é realizada por meio de equipamentos específicos, como o ecobatímetro, que utiliza sonar e geolocalização. O instrumento opera com antena receptora GNSS – sistema semelhante ao GPS – que demarca pontos geoposicionados e indica a altitude de operação do equipamento, servindo como referência para os dados coletados.
O sonar realiza a varredura do leito submerso, identificando profundidade e variações do relevo. O levantamento também inclui as margens em trechos secos, onde técnicos percorrem a área com antenas de georreferenciamento ou utilizam drones equipados com sensores a laser. Esse mapeamento detalhado da topografia auxilia na previsão de elevação do nível da água em situações críticas.










