
A praia de Capão Novo, em Capão da Canoa, registrou um raro encalhe de baleia-bicuda, espécie que vive em águas profundas e dificilmente é vista perto da costa. Cientistas do Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos (Ceclimar/UFRGS) e profissionais do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP) identificaram a espécie e coletaram material da carcaça para análise.
A baleia encalhou morta na última semana e foi enterrada por servidores da Prefeitura. Os pesquisadores receberam o relato do encalhe no último sábado (17) e solicitaram que o animal fosse desenterrado para análise, permitindo estudos e a investigação de uma possível causa da morte.
De acordo com o biólogo Maurício Tavares, do Ceclimar e da coordenação do PMP-BP, tratava-se de uma fêmea do gênero Mesoplodon, da família Ziphiidae — das baleias-bicudas. O pesquisador relatou ao portal Litoral na Rede que o animal media 4,72 metros.
“É uma espécie de cetáceo bastante rara de encalhar. É um animal de grandes profundidades, do grupo dos botos, baleias e golfinhos”, complementou, ao salientar que se trata de uma oportunidade singular para pesquisadores devido às diferenças das baleias-bicudas em relação aos demais cetáceos, além da baixa frequência de encalhes.
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A análise da carcaça da baleia foi concluída pela equipe nesta segunda-feira (19). Maurício explica que o PMP-BP tem como objetivo identificar possíveis impactos dos trabalhos de sondagem de petróleo e gás no oceano, na costa do Rio Grande do Sul, como exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“Uma empresa está realizando sondagem, que envolve emissão de som, e isso pode causar danos a alguns animais. O Ibama exige esse trabalho de acompanhamento para verificar se é possível detectar, nos animais que encalham, algum dano relacionado ou não a essa atividade. Por isso, a importância de estudar esse animal, porque ele vive justamente nessas áreas muito profundas onde está ocorrendo esse trabalho”, detalhou o biólogo do Ceclimar.

Como funciona o monitoramento
O monitoramento na região é realizado de segunda a sexta-feira e inclui atendimento a encalhes, resgate de animais marinhos vivos e o recolhimento de animais mortos, conforme os protocolos do projeto. As equipes também atendem chamados feitos pela comunidade e por órgãos ambientais.
As ações são realizadas por equipes formadas por biólogos, médicos-veterinários e outros profissionais da área ambiental, capacitados para atuar no monitoramento e no atendimento aos animais.
Quem encontrar um animal marinho, vivo ou morto, deve entrar em contato pelo WhatsApp (51) 3308-1263, enviando imagem e localização.










