
O primeiro professor quilombola da história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é do Litoral Norte. Natural da comunidade dos Teixeiras, em Mostardas — município onde foi o primeiro vereador negro a presidir a Câmara Municipal —, Jorge Amaro de Souza Borges foi aprovado em concurso público e ingressou, neste mês de março, no corpo docente da instituição de ensino.
Para assumir a nova função em Porto Alegre, Jorge Amaro renunciou ao cargo de vereador em Mostardas por avaliar que não seria possível seguir nas duas atividades. Ele conta que essa história não cabe apenas nos registros institucionais, mas ecoa nas memórias de quem veio antes.
“Minha tataravó foi escravizada, meu bisavô era analfabeto, meus avós pouco estudaram e meus pais também. Eu rompi esse ciclo de exclusão educacional quando me formei no Ensino Médio. A presença de um docente quilombola na universidade representa mais do que um dado estatístico: é um marco simbólico e político”, rememora o pesquisador, que já foi servidor público nas prefeituras de Viamão e Alvorada.
Depois de cursar toda a Educação Básica em escola pública, Jorge fez o ensino técnico em Agricultura, graduação em Biologia e, posteriormente, mestrado em Educação e doutorado em Políticas Públicas. Também realizou pós-doutorado em Desenvolvimento Rural na própria UFRGS.
O novo docente da Faculdade de Ciências Econômicas atuará nos cursos de Ciências Econômicas, Contábeis, Atuariais e Relações Internacionais, além do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR). O ingresso na UFRGS ocorreu por meio de política de ação afirmativa para pessoas pretas e pardas, considerada por ele fundamental para enfrentar desigualdades históricas, embora ainda insuficiente.
“Fui o único cotista negro aprovado no processo, e isso não pode ser visto apenas como uma conquista individual ou um dado a ser celebrado. Pelo contrário, revela o quanto ainda precisamos avançar para que mais pessoas negras, quilombolas e de outros grupos historicamente excluídos possam acessar, permanecer e concluir suas trajetórias acadêmicas e profissionais em espaços como a universidade”, afirma.
* Com informações da UFRGS










