
A tragédia climática de maio no Rio Grande do Sul fez os alimentos ficaram mais caros para os consumidores gaúchos. Um levantamento da Receita Estadual, com base em notas fiscais emitidas antes e depois das inundações de maio, releva que de 38 produtos para alimentação, 25 ficaram mais caros.
Os dados constam no boletim econômico-tributário da Receita Estadual sobre os impactos das enchentes nas movimentações econômicas dos contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços (ICMS). O documento foi publicado em 14 de junho.
Na comparação do preço médio da semana de 21 a 27 de abril – última semana antes do evento meteorológico – e da semana de 5 a 11 de junho, os produtos que tiveram maior aumento foram batata (+55,8%), tomate (+ 47,8%), repolho (+25,1%) e leite (+21,7%).
Os alimentos que registraram maior queda no preço médio foram bergamota (-27,1%), laranja (-16,2%), cebola (-13,3%) e feijão preto (-9,7%). A Receita Estadual salienta que esses dados podem ser reflexo, além das enchentes, de outros fatores econômicos e sazonais dos produtos.
Veja a tabela com a variação de preços de 38 alimentos

Queda na arrecadação de ICMS
Outro destaque do boletim é o impacto gerado na arrecadação do ICMS entre 1º e 12 de junho. O valor projetado antes das enchentes para o período, que reflete as operações realizadas em maio, era de R$ 2,67 bilhões. Na prática, entretanto, foram arrecadados R$ 1,68 bilhão – ou seja, uma redução de R$ 990 milhões (-37%). Em maio, a queda na arrecadação do ICMS foi de 17,3% (R$ 690 milhões abaixo do esperado).
O ICMS é o principal imposto cobrado pelo Estado. A queda da arrecadação também impacta os municípios, que recebem 25% do valor.
Impactos na atividade econômica
Quanto à atividade econômica, houve 5,2% de queda no volume de vendas da indústria nas últimas quatro semanas em comparação com o mesmo período do ano anterior. As maiores baixas aconteceram nos setores de insumos agropecuários (-22%), metalmecânico (-10,9%) e agroindústria (-7,9%).
As maiores altas foram verificadas nos setores de papel (31,3%), móveis (20,7%) e bebidas (14,1%). Apesar disso, todos os setores analisados já apresentam sinal de retomada após o momento mais crítico da crise meteorológica.
Na visão por região do Estado, considerando o mesmo período, as maiores baixas são verificadas na Fronteira Noroeste (-59,4%), no Alto do Jacuí (-33,3%), no Sul (-26,3%), no Vale do Caí (-16,0%) e no Vale do Rio dos Sinos (-10,3%).
Os maiores crescimentos, por sua vez, ocorreram no Vale do Jaguari (42,9%), na Fronteira Oeste (33,3%), no Litoral (21,4%), no Alto da Serra do Botucaraí (19,2%) e em Jacuí Centro (14,4%).










