Posto de Saúde não tem médico há quase quatro meses em Palmares do Sul

Posto de Saúde não tem médico há quase quatro meses em Palmares do Sul

Prefeito recebeu moradores e busca solução para problema.

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Foto: Claudia Barcelos / Divulgação

Prestes a completar quatro meses sem médico na unidade de saúde José Theodoro Pereira, a comunidade do distrito de Bacupari, em Palmares do Sul, procurou a prefeitura para pedir uma solução para o problema. Na última quinta-feira (08), lideranças comunitárias da localidade foram recebidas pelo prefeito Maurício Muniz e pela secretária de Saúde Juliana Gasso para tratar do tema.

Claudia Barcelos, presidente da Associação de Moradores de Bacupari, afirma que os problemas começaram após a saída do último médico fixo da unidade, em dezembro de 2020. “Era um ótimo médico, transformou a saúde do distrito, olhava sempre pelo lado humano”, elogia a moradora.

Ela alega que aproximadamente 400 moradores estão sendo afetados pela ausência de um profissional no posto de saúde. “Viemos pedir não de forma partidária, mas pela comunidade”, complementa, sugerindo, inclusive, a possibilidade de uma parceria com a gestão municipal de Mostardas, tendo em vista que o posto de saúde do distrito palmarense também atende moradores que residem na cidade vizinha, na área próxima à Lagoa do Bacupari.

Segundo o prefeito, a unidade era atendida por um excelente médico contratado através do Mais Médicos, programa do Governo Federal que viabiliza o envio de profissionais de saúde para regiões mais afastadas dos grandes centros, visando o atendimento das populações locais.

“Ele conhecia muito bem os usuários da unidade. Após a sua saída, abrimos um processo seletivo, que deu deserto [ou seja, não apresentou inscritos]. Após justificativa e autorização jurídica, passamos para contratação de uma empresa para colocação de médico”, relata Muniz. “A única médica disponível não teve uma boa relação com a comunidade, que nos solicitou que ela fosse retirada”, recorda o prefeito.

A ausência de profissionais interessados em atuar na unidade levou prefeitura e empresa a assinarem um distrato contratual. A solução momentânea foi deslocar o médico da unidade do distrito de Frei Sebastião para que passasse a atender também a comunidade de Bacupari. As duas unidades estão distantes cerca de 50km. O médico que assumiu, contudo, saiu pouco tempo depois.

A secretária da Saúde garante que o município segue cadastrado no programa Mais Médicos e tentando a contratação de um profissional através do vínculo federal. Até o momento, no entanto, nenhum interessado apareceu. “Para tentar novamente a contratação de uma empresa, necessitamos de uma justifica legal. Abrimos um novo processo seletivo, visitei 20 médicos que conheço ou tenho contato levando o edital para conhecimento e tentando uma inscrição, mas novamente não houve inscritos”, alega Juliana.

Durante o encontro, o prefeito reforçou que a administração municipal não está medindo esforços para conseguir suprir este problema. “Temos explicado tudo isso, há meses, nas redes sociais, nos veículos de comunicação e com as equipes. A partir desta semana vamos providenciar com o departamento jurídico os meios legais para contratação de empresa”, afirma Muniz. Mas ele adianta: a unidade permanecerá sem médico por mais alguns dias. “Estamos tentando de todas as formas corretas solucionar este problema, mas a tramitação legal leva tempo e precisa decorrer os prazos”, garante.

Lideranças comunitárias foram recebidas pelo prefeito. Foto: Divulgação / Redes Sociais / Prefeitura de Palmares do Sul

A líder comunitária destaca que a associação de moradores frequentemente tenta interferir em assuntos de interesse do distrito. “Somos uma instituição parceira. Nossa reunião foi amigável. A realidade é que os médicos não se interessam por conta da distância. Os médicos vêm conhecer e acham muito distante”, revela, lembrando que a unidade já contou com profissionais vindos de Minas Gerais e até do Chile, ambos contratados a partir do convênio com o Mais Médicos.

A pandemia, porém, trouxe ofertas mais vantajosas para os profissionais que vinham atuando na cidade. O salário de aproximadamente R$ 7,5 mil tornou-se pouco atrativo para as atribuições e, principalmente, para compensar o deslocamento até Bacupari. “É muito campo. Aí tem consultas e visitas a idosos e jovens em situação de drogadição, pessoas com depressão, acamados… É muita coisa. O médico tem que ser bem corajoso”, conclui Claudia.

Se o novo processo seletivo não apresentar inscritos e não aparecerem interessados na prestação do serviço através do programa Mais Médicos, a cidade cogita uma modificação na lei, através de autorização na Câmara de Vereadores, para aumentar os valores oferecidos ao profissional. “Foi nossa proposta para tornar mais atrativo. O prefeito aceitou, caso nenhuma alternativa dê certo”, finaliza a presidente da associação.

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