Passeio que acabou em tragédia: o acidente que tirou a vida de uma jovem de Tramandaí

Passeio que acabou em tragédia: o acidente que tirou a vida de uma jovem de Tramandaí

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Foto meramente ilustrativa (PRF)

Douglas Samuel de Moraes relembra como se fosse ontem. Era madrugada de domingo, dia 03 de março de 2019. Em uma moto, ele e sua esposa. Na outra, um amigo da família e a filha, Bárbara Andriélli Mendes de Moraes, de 15 anos de idade.

Era para ser uma viagem especial e logo mais, nesta entrevista concedida ao Litoral na Rede, vamos saber o porquê.

Origem: Tramandaí, Litoral Norte.
Destino: São Leopoldo, Vale do Sinos.

O pai de Bárbara comenta que, como de costume, foram revisadas as condições das motocicletas. Logo na saída, ainda em Tramandaí, decidiram passar em um posto de gasolina para abastecer e comprar água. Fizeram uma parada na praça de pedágio de Santo Antônio da Patrulha, na Freeway (BR-290), para esticar as pernas e seguiram em frente.

“Estávamos a uns 80 km/h, 90 km/h. Por questão de segurança, até por ter sido num feriadão, fiquei na retaguarda. Enquanto meu amigo pilotava na pista da direita, que é mais lenta, eu andei na do meio. Dependendo do movimento, eu ia para a pista da direita e ficava atrás da moto em que estava a minha filha”, relata Douglas.

O acidente em Santo Antônio da Patrulha

“Eu vi um farol, desacelerei a moto para dar tempo de eu ir para a direita, mas o carro veio muito rápido. Foi questão de segundos. Só deu o estouro. Fui arremessado para o canteiro central. Naquela questão de segundos, veio à mente a minha esposa.”

Ela estava jogada na faixa. Para que não fosse atingida, Douglas passou a sinalizar para os outros motoristas. Alguns deles pararam para dar apoio. Um caminhoneiro estacionou próximo ao acidente para servir como uma espécie de “escudo”.

Também ferido, Douglas foi orientado a ficar no chão, imobilizado.

“Foi quando o pessoal que ajudou disse que tinha mais dois motoqueiros acidentados. Eu me desesperei, tentei me levantar e gritei: ‘É a minha filha! É a minha filha!’ Pediram para não me levantar. Precisamos aguardar o resgate.”

De acordo com o boletim de ocorrência, a moto onde ela estava ficou presa na parte da frente do carro, sendo arrastada por 74 metros.

Segundo o pai da adolescente, a Polícia Rodoviária Federal chegou, pediu os documentos de habilitação e da moto. Não chegaram a comentar nada do outro veículo. Douglas, a esposa, o amigo e a filha foram levados com ferimentos graves para o Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre.

Um médico, que estava com a Carteira Nacional de Habilitação suspensa por ter sido flagrado embriagado na BR-448, em Canoas, no ano de 2015, conduzia o automóvel responsável pela colisão.

O fato só foi registrado pela Polícia Rodoviária Federal na quarta-feira (06), perto das 17h. O médico também não foi submetido ao teste do bafômetro pelos agentes. O órgão informou por meio de nota que Corregedoria está investigando o caso e vai avaliar a ação dos funcionários.

A Polícia Civil apura se houve crime de homicídio culposo.

A notícia

O pai de Bárbara estava hospitalizado quando foi comunicado pelo médico de que uma notícia nada boa teria de ser dada. A filha não havia chegado com vida para o hospital e ele recebeu autorização para comparecer ao velório.

Douglas se comove bastante ao falar sobre o ocorrido.

“É duro. É a pior coisa que poderia ter acontecido. Poderia ter perdido moto, perna, braço, mas… a sensação de ver tua filha daquele jeito. Essa é a pior parte de sair do hospital. Sair para ver tua filha pela última vez.”

A história por trás da viagem

A família trabalhava com lanches e refeições. Bárbara ajudava no atendimento e na divulgação do negócio familiar. No entanto, meses antes do acidente que viria a tirar sua vida, a adolescente teve problemas de saúde. Segundo o pai, que é motoboy, a filha ficou muito mal por aproximadamente duas semanas.

Foto: arquivo pessoal

“A gente não chegou a fazer exames porque os médicos diziam que era apenas uma infecção intestinal. Se não fosse uma agente de saúde que mora no bairro e que é muito conhecida nossa, minha filha teria morrido há mais tempo.”

Bárbara chegou com o apêndice estourado ao hospital, onde permaneceu por pouco mais de um mês.

Os pais dela prometeram que, depois da recuperação, fariam um passeio para São Leopoldo, a fim de visitarem a avó e a “dinda”. Foi justamente nesta viagem, com a qual a jovem estava bastante empolgada, que a tragédia viria a acontecer.

Solidariedade e Futuro

Questionado sobre a sensação de receber inúmeras mensagens de apoio pelas redes sociais, o pai de Bárbara afirma que isso tem ajudado muito ele e a família.

“Dói de ver, de lembrar, mas tem muita gente solidária, que nunca vi na vida, que já conheci, amigos da família… O que faz a gente não desistir são as palavras que recebemos. Agora é tentar olhar para a frente. É a nossa equipe, o nosso time, que agora ficou desfalcado”, diz emocionado.

“Se não fosse o resto da família, a gente estaria bem perdido”, desabafa Douglas. Ele e a esposa tinham, com a Bárbara, seis filhos. Junto do casal, também convivem dois sobrinhos.

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