
Imagens aéreas divulgadas pela Prefeitura de Imbé nesta semana chamaram a atenção de moradores e turistas: uma “linha” clara e bem definida separava as águas do Rio Tramandaí, criando um contraste impressionante. De um lado, a água em sua cor normal, em tonalidade verde-escuro. De outro, uma água com tom marrom.
A cena rapidamente ganhou as redes sociais e levantou polêmica. Muitos internautas chegaram a questionar se a mancha seria resultado do despejo de efluentes do esgoto vindo de Xangri-Lá ou Capão da Canoa.
A suspeita, no entanto, não procede. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Proteção Animal e Agricultura (SEMMAPA) de Imbé, o fenômeno é completamente natural e não tem qualquer relação com a obra que vai levar esgoto tratado às águas do Rio Tramandaí.
“É um fenômeno natural. Acontece muito em questão da temperatura, salinidade ou densidade da água. Pode ocorrer muito após fortes chuvas ou dias chuvosos. A coloração fica assim porque ela vai carregando muitos sedimentos que são areia, material orgânico. Devido a essas reações químicas e físicas, que são naturais, a gente acaba podendo observar essa beleza natural enquanto a gente passa pela ponte Imbé-Tramandaí”, explica Pâmela Antoni, bióloga da pasta, em publicação feita nas redes sociais da Prefeitura.
A secretária adjunta da SEMMAPA, Nélida Pereira, complementa explicando que o fenômeno natural é chamado de pluma estuarina. Segundo ela, são águas com temperatura e densidades diferentes que demoram mais a se misturar, por isso esse contraste de cores fica tão evidente.
“A área escura vem carregada de sedimentos transportados pelos rios e lagoas até a desembocadura. A salinidade também tem uma relação direta com a densidade. Desta forma, quanto maior a salinidade, maior a densidade. Em função disso, quando a água sai em direção ao mar, sai pela superfície, destacando essa coloração”, acrescenta.
Segundo pesquisadores, pluma estuarina é uma faixa de água doce proveniente de um rio que se estende e se mistura no mar ou em outro corpo de água. Essas plumas se formam devido às diferenças de densidade entre a água fluvial e a água salgada (causadas por diferenças de temperatura e salinidade) e são importantes vias de transporte de materiais continentais para o oceano, afetando a biogeoquímica costeira e os padrões de circulação.
Procurada pela reportagem do portal Litoral na Rede, a Corsan informou que a emissão dos efluentes tratados no Rio Tramandaí ainda não foi iniciada. Segundo a empresa, o processo está na fase de finalização das exigências dos órgãos reguladores.










