
[Aviso de conteúdo sensível: esta matéria trata de violência contra mulher e pode causar desconforto para alguns leitores]
Leila Raquel Camargo Feltrin, de 24 anos, é a jovem que foi morta a facadas no começo da manhã deste domingo (25), em Tramandaí. O caso aconteceu em uma residência localizada na Rua Rebouças, no bairro São Francisco, e é investigado pela Polícia Civil (PC) como feminicídio. O autor do crime, que era namorado de Leila, foi preso pela Brigada Militar (BM).
A vítima era natural de Esteio e mantinha um relacionamento de cerca de três meses com o companheiro. O casal havia se mudado recentemente para o imóvel onde a jovem foi morta. Vizinhos relataram à polícia que as brigas entre os dois vinham ocorrendo de forma frequente.
Leila foi encontrada morta por golpes de faca e socos pelo corpo, especialmente na região da cabeça. A apuração preliminar do serviço de perícia também indicou lesões de defesa no braço e no antebraço da jovem.
Motivação
Segundo relatos repassados à reportagem do portal Litoral na Rede pelo delegado Alexandre Souza, que está a frente das investigações, a mulher e o namorado teriam iniciado uma discussão após chegaram em casa, por volta das 4h deste domingo.
À Polícia Civil, o autor do crime alegou que teria atacado a companheira por questões religiosas. De acordo com Souza, o relato do assassino teria sido confuso e sem conexão. As investigações devem prosseguir para apurar mais detalhes sobre a motivação.
Relembre o caso
A BM foi chamada por moradores próximos que ouviram gritos de Leila e do namorado. Quando os policiais chegaram ao endereço, por volta das 6h30, encontraram a jovem já sem vida, com ferimentos causados por arma branca. O homem tentou fugir ao perceber a presença das guarnições, subindo em telhados e passando por pátios vizinhos, mas acabou capturado após um cerco policial.
No momento do crime, duas meninas, filhas de Leila, de dois e cinco anos, estavam dormindo dentro da residência. O Conselho Tutelar foi acionado e adotou as providências necessárias para garantir a proteção e o encaminhamento das crianças.
Segundo a Polícia Civil, a vítima não possuía registros formais de ocorrências contra o companheiro. No entanto, ela já havia solicitado atendimento policial em outra ocasião, mas teria desistido de registrar o fato. O homem preso tem 25 anos e já possuía antecedente policial por ameaça contra uma ex-companheira.
Ele foi encaminhado para atendimento médico devido a lesões sofridas durante a fuga e, posteriormente, apresentado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). A área do crime foi isolada para os trabalhos do Instituto-Geral de Perícias (IGP), e a Polícia Civil segue investigando o caso.
Feminicídio
A escalada dos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul vem preocupando autoridades. O assassinato de Leila é o nono caso de morte de mulher por razões de gênero registrado no Estado em 2026.
Segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública, o número já superou a quantidade de feminicídios registrados em todo o mês de dezembro de 2025, que chegou a seis.
Não se cale. Denuncie!
Casos de violência doméstica podem ser denunciados pela própria vítima ou por qualquer outra pessoa. Um dos canais que recebem este tipo de denúncia é o telefone 190 da Brigada Militar.
A vítima também pode ir a uma Delegacia da Mulher ou em qualquer delegacia para registrar boletim de ocorrência e pedir medidas protetivas. Também é possível registrar uma ocorrência e pedir medida protetiva pela Delegacia Online.
A Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas pelo 180. A Defensoria Pública atende pelo telefone 0800-644-5556 e dá orientações sobre direitos e consulta a advogados.










