
Foi com sentimento de injustiça que a família da garçonete Mariele dos Santos Oliveira encerrou mais uma etapa do doloroso processo de espera por justiça, na tarde desta quinta-feira (13), ao deixar o Fórum de Tramandaí após a condenação do motorista Douglas Blau Stello a 7 anos e meio de prisão pelo acidente que tirou a vida da trabalhadora de 32 anos em 2023.
Horas após a sentença, a irmã da vítima, a fisioterapeuta Mariana Oliveira, divulgou um vídeo agradecendo o apoio recebido e criticando a pena recebida por Douglas. Decisão que ela classificou como “a mais branda possível” diante de um homicídio doloso.
Stello foi condenado por homicídio consumado, tentativa de homicídio contra o companheiro de Mariele, Alexandre Dias, e por inovação artificiosa, por tentar alterar a cena e atribuir a direção do Troller a um amigo. Ele seguirá respondendo em liberdade até o trânsito em julgado.
“Brasil é um país de impunidade”
No depoimento emocionado publicado nas redes sociais, Mariana contou que pretendia se manifestar apenas no dia seguinte, mas decidiu falar após receber inúmeras mensagens. Ela iniciou agradecendo a presença de familiares, amigos e pessoas próximas à Mariele que acompanharam o julgamento no Fórum de Tramandaí.
“Queria agradecer a todos os amigos que compareceram, os meus, os da minha família e os da minha irmã, que estiveram presentes para nos apoiar. Gratidão também ao júri, que foi exemplar”, iniciou Mariana. O tom, porém, mudou quando passou a comentar a pena imposta ao acusado:
“O réu foi considerado culpado, mas recebeu a pena mais branda possível para um homicídio doloso. No fim das contas, o Brasil é um país de impunidade. A gente só se dá conta disso quando precisa da Justiça”, protestou a fisioterapeuta.
A irmã de Mariele relatou que a notícia da condenação repercutiu imediatamente dentro de casa, especialmente entre as crianças. O sobrinho Miguel, de 12 anos – um dos três filhos que a garçonete deixou –, soube do desfecho enquanto jogava bola e perguntou à avó como tinha sido o julgamento.
“Minha mãe explicou, e ele respondeu: ‘É muito injusto isso, né, vó?’. É algo que nem eu nem minha mãe conseguimos explicar”, lamentou Mariana. Na sequência, indagou: “Como eu explico para os meus sobrinhos que esse indivíduo matou a mãe deles e saiu do julgamento como se nada tivesse acontecido?”.
Questionamentos sobre a pena
Visivelmente emocionada, a irmã de Mariele também cobrou explicações sobre a decisão. Ainda assim, reforçou a confiança no andamento do processo e disse confiar que Douglas possa receber uma pena maior pelo crime cometido, mesmo que isso demore a ocorrer.
“O Ministério Público vai recorrer. Eu ainda acredito na Justiça. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa paciente, que não tem pressa para a justiça acontecer”, completou.
Relembre o caso

Mariele voltava do trabalho em Imbé quando o Toyota Yaris em que estava foi atingido por um Troller conduzido por Douglas, que avançou a preferencial no cruzamento das avenidas Flores da Cunha e da Igreja, em Tramandaí, em 2 de setembro de 2023.
Com o impacto, o carro ainda colidiu contra um caminhão estacionado. Mariele morreu na hora e seu companheiro, Alexandre, ficou ferido.
Na madrugada do acidente, o motorista do Troller tentou fugir, mas foi abordado pela Brigada Militar (BM) a uma quadra do local. Ele apresentava sinais de embriaguez e se recusou a fazer o teste do bafômetro.
Segundo a denúncia, Douglas tentou atribuir a direção a um amigo que estava no veículo — o homem chegou a ser preso por alguns dias até que o réu assumiu ter sido ele quem conduzia o carro. Mariele deixou três filhos, hoje com 11, 13 e 15 anos, que vivem com a avó materna.










