
O aumento da demanda por atendimento e a lotação dos hospitais, aumentaram a pressão sobre as unidades especializadas em casos de Covid-19 nas duas maiores cidades do Litoral Norte. A média de consultas diárias mais que dobrou, nos últimos dias, nos serviços de referência para diagnóstico e tratamento da doença em Capão da Canoa e Tramandaí. Os municípios tiveram 67 e 55 novos casos, respectivamente, nessa quinta-feira (18).
Na quarta-feira (17), por exemplo, 101 pessoas foram atendidas na UBS Litoral, posto de saúde destinado exclusivamente para pacientes com sintomas respiratórios em Tramandaí. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Luciano Saltiel, nas semanas anteriores a média era de 30 a 40 consultas por dia.
Saltiel informou ao Litoral na Rede que, nessa quinta-feira, a unidade tinha oito pacientes em observação, o maior número desde a abertura do serviço. Essas pessoas aguardavam transferência para leitos hospitalares. “Ontem foi o pior dia de toda a pandemia, o pior cenário de toda a pandemia, chega ao ponto de extrapolar a estrutura de atendimento”, alerta o secretário.
Na manhã desta sexta-feira (19), Saltiel entrou em contato com a Central de Regulação de Leitos do Estado e com a direção da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas, gestora do Hospital de Tramandaí, para articular a ampliação dos leitos de enfermaria para pacientes com Covid-19 na instituição.
“O hospital tem 11 leitos de UTI Covid e seis leitos de enfermaria Covid. Mas o percentual de pacientes com necessidade de hospitalização não-UTI é maior neste momento e essa lógica tem que ser revista”, avaliou.
Em Capão da Canoa, o cenário também é de alerta. A Unidade de Isolamento, que atende casos suspeitos de Covid-19, registrou, nos últimos sete dias, média de 90 consultas diárias. Apenas nessa quinta-feira, foram 120 atendimentos. Além disso, havia 14 pessoas em observação, sendo que nove aguardam transferência para hospitais, duas delas para unidades de terapia intensiva.
“Na última semana, houve uma crescente de casos e de procura na Unidade de Isolamento, enorme, algo fora do comum”, disse o secretário da Saúde Capão da Canoa, Josiel de Matos, ao Litoral na Rede.
Ele informou que a Prefeitura está tentando contratar mais um médico para reforçar o atendimento na unidade. A medida leva em conta que, além das consultas, os profissionais precisaram atender os pacientes em observação.
“Já tivemos essa média de casos, mas antes, a agente conseguia transferência com mais facilidade. Hoje, pela quantidade que a gente teve, não está tendo disponibilidade (de leitos). Foi muito difícil conseguir essas duas transferências”, disse sobre os dois pacientes que precisavam de uma vaga em UTI.
Outra preocupação das autoridades de saúde da região é com o impacto das aglomerações realizadas durante o período de carnaval, com possibilidade de aumentar ainda mais a demanda por atendimento.
“O mais assustador é pensar que esse é um reflexo do verão. Agora tem as aglomerações do Carnaval, que vai começar a impactar daqui mais uns sete ou 10 dias”, projetou Josiel de Matos.
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