
O Rio Grande do Sul registrou uma queda de 8,9% nas mortes de mulheres em decorrência do câncer de mama em 2024, segundo dados divulgados nessa sexta-feira (17) pela Secretaria Estadual da Saúde (SES). Foram 1.399 óbitos no último ano, contra 1.536 em 2023.
As informações integram a edição de 2025 do Boletim Epidemiológico da Situação do Câncer de Mama no Estado do RS. A divulgação faz parte das ações do Outubro Rosa — mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.
Apesar da redução nas mortes, o Rio Grande do Sul apresentou a terceira maior incidência de câncer de mama do país, com 4.842 novos casos em 2024, atrás apenas de São Paulo (14.327) e Minas Gerais (6.575). O número representa 1.122 casos a mais do que a média de 3.720 esperados para o triênio 2023-2025, uma diferença de 30%, conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
A taxa de mortalidade no Estado foi de 24,2 por 100 mil mulheres, abaixo da previsão de 25,4 e também inferior aos índices de 2022 (24,8) e 2023 (26,5). A reversão ocorre após a alta registrada entre 2022 e 2023, quando os óbitos passaram de 1.435 para 1.536.
Números no Litoral Norte
O número de mortes por câncer de mama entre mulheres teve boa redução nas duas regiões de saúde que englobam municípios do Litoral Norte do RS. Na comparação com 2023, os dados de 2024 apresentaram queda entre 25% e 29%.
Em levamento feito pela reportagem do portal Litoral na Rede, considerando os dados divulgados pelo boletimda SES, a Região Belas Praias – da qual fazem parte Arroio do Sal, Capão da Canoa, Dom Pedro de Alcântara, Itati, Mampituba, Maquiné, Morrinhos do Sul, Terra de Areia, Torres, Três Cachoeiras, Três Forquilhas e Xangri-Lá – registrou 15 mortes no ano passado, número menor que os 21 óbitos de 2023. A maior diferença entre mulheres de 50 a 59 anos: foram três óbitos em 2024, ante 11 registradas no ano anterior.
Já na Região Bons Ventos – formada pelas cidades de Balneário Pinhal, Capivari do Sul, Caraá, Cidreira, Imbé, Mostardas, Osório, Palmares do Sul, Santo Antônio da Patrulha, Tavares e Tramandaí –, foram 22 mortes pela doença em 2024, uma redução em comparação a 2023, quando 29 mulheres morreram com neoplasia maligna da mama.
Em toda a região foram realizados 11.944 exames de mamografia em 2024. Na Região Belas Praias, 77,69% dos diagnósticos BI-RADS – sigla da classificação que padroniza os relatórios mamográficos – foi classificado como 2, nível que agrupa achados benignos como calcificações, lipomas ou cicatrizes cirúrgicas. Índice semelhante ao da Região Bons Ventos, onde 69,02% dos exames também apresentaram BI-RADS 2.
Ainda segundo o boletim epidemiológico, estima-se que as duas regiões necessitariam entre 11,7 mil e 17,1 mamografias de rastramento na população feminina na faixa etária de 50-69 anos. A produção, no entanto, ficou pouco abaixo dos 30% em ambas.
Os dados do boletim são agrupados por região, não detalhando os números por município.
Diferenças por raça e cor
Os resultados a nível estadual variam conforme o critério de raça/cor. Entre mulheres brancas, a taxa foi de 27,86 óbitos por 100 mil, acima da média estadual. Já entre mulheres pardas, o índice foi de 10,02 por 100 mil, e entre pretas, de 20,37.
Na comparação com 2023, a taxa de mortalidade entre brancas caiu 2,97 pontos percentuais (de 30,83 para 27,86). Entre pretas, houve queda de 2,48 (de 22,85 para 20,37). No entanto, entre as pardas, o índice subiu de 9 para 10,02.
Programa SER Mulher RS
Uma das principais ações do governo estadual para reduzir a mortalidade é o SER Mulher RS, que reúne ambulatórios especializados em saúde feminina. Os serviços oferecem atendimento nas linhas de cuidado relacionadas ao câncer de mama e de colo do útero, endometriose, infertilidade, planejamento reprodutivo e climatério.
O programa garante atendimento integral, desde a prevenção até o diagnóstico e tratamento, com o objetivo de reduzir o tempo entre a identificação da doença e o início do tratamento.
No Litoral Norte, o serviço fica localizado junto ao Hospital São Vicente de Paulo, em Osório.
Incidência e faixa etária
Em 2024, o Rio Grande do Sul teve uma taxa de 83,79 novos casos de câncer de mama para cada 100 mil mulheres, uma leve redução em relação ao ano anterior (89,53).
Mulheres entre 50 e 69 anos representaram quase metade dos casos (49,2%), seguidas pelas faixas de 40 a 49 anos (20,3%) e acima de 74 anos (11,7%).
Porto Alegre concentrou o maior número absoluto de registros, com 82 novos casos a cada 100 mil mulheres. Já a maior taxa proporcional foi observada em Guabiju, na Serra, com 571,43 por 100 mil. As maiores taxas de mortalidade foram registradas em Vista Alegre do Prata (257,07 por 100 mil), São Domingos do Sul (214,9) e Chapada (201,33).
Cobertura ainda baixa
O boletim destaca que a detecção precoce e o início rápido do tratamento aumentam significativamente as chances de cura. No entanto, a cobertura de mamografias no Estado ainda é baixa — 26% das mulheres realizaram o exame, índice abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), embora ligeiramente superior à média nacional (24%).
As regiões das Araucárias (46%) e do Alto Uruguai (39%) registram as melhores coberturas, enquanto o Pampa (13%) e a Região Carbonífera (15%) apresentam os menores índices.
Sobre a doença
O câncer de mama é causado pela multiplicação desordenada de células anormais na mama, formando tumores. É o tipo mais comum entre as mulheres, excluindo o câncer de pele não melanoma, e uma das principais causas de morte na população feminina.
Segundo a analista em Saúde Franciele Vasconcellos, da Seção de Saúde da Mulher do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde (Dapps/SES), ações de controle da doença são essenciais.
“Entre elas estão a promoção do diagnóstico precoce e o rastreamento da população-alvo, ou seja, é importante verificar o câncer de mama em estágios iniciais em pessoas assintomáticas”, destaca a especialista.










