Laudo da reconstituição do Caso Miguel deve ficar pronto em até 60 dias

Reprodução simulada dos fatos em Imbé durou mais de quatro horas, veja o vídeo

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Perito foram até a pousada onde o menino Miguel foi morto. Foto: IGP

O Instituto-Geral de Perícias deve concluir, em até 60 dias, o laudo da reprodução simulada dos fatos referente ao assassinato e ocultação de cadáver do menino Miguel Rodrigues, de sete anos, em Imbé. A reconstituição, realizada na noite dessa segunda-feira (08), durou mais de quatro horas.

O procedimento feito por peritos criminais levou em conta a versão da companheira da mãe do menino. Bruna Nathiele Porto da Rosa, de 23 anos, foi trazida para a cidade para participar da reconstituição. Já a mãe, Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, de 26 anos, não participou e, segundo a sua defesa, só se manifestará em juízo.

As duas mulheres estão presas preventivamente desde a época do crime, no fim de julho. Elas são rés pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e ocultação de cadáver. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, Yasmin e Bruna mataram a criança e jogaram o corpo, que até hoje não foi encontrado, no Rio Tramandaí.

O trabalho foi conduzido por duas peritas criminais e um fotógrafo criminalístico do Departamento de Criminalística do IGP. A perícia iniciou na Delegacia de Polícia, com a oitiva de Bruna, que apresentou a sua versão dos fatos.

Veja o vídeo

A fase seguinte foi realizada na pousada da Rua Sapucaia do Sul, no Centro de Imbé, onde as duas mulheres moravam com a criança. Um boneco, com tamanho proporcional ao de um menino de sete anos, foi utilizado para representar a vítima.  As ações foram registradas pelo fotógrafo criminalístico e farão parte do laudo pericial.

“O nosso exame é baseado na versão, no relato que a envolvida traz. Nesse caso, ela trouxe a sequência dos fatos que teriam acontecido naquele dia, desde a parte da manhã até o momento em que elas deixaram o apartamento. Todas essas ações foram reproduzidas lá no local”, disse a perita Bárbara Cavedon.

Na última etapa, a equipe do Departamento de Criminalística e a ré refizeram o trajeto de cerca de dois quilômetros entre a pousada e o Rio Tramandaí. Uma mala de mão, encaminhada para perícia, foi utilizada para reproduzir os fatos relatados pela acusada.

Uma policial civil representou a mãe do menino. As imagens recuperadas por câmeras de segurança e periciadas pelo Departamento de Criminalística mostram as duas mulheres carregando a bolsa na noite do desaparecimento de Miguel.

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Boneco do tamanho de um menino de sete anos foi usada na reprodução simulada dos fatos. Foto: IGP
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Reconstituição terminou às margens do Rio Tramandaí. Foto: IGP

Às margens do rio, Bruna relatou aos peritos como o corpo teria sido jogado na água.  “Ela referiu mais ou menos o ponto onde ela teria ficado e o ponto onde a Yasmin teria ficado, então a gente reproduziu esta parte também com fotografias. Segundo a verão dela, a Yasmin teria ficado mais próxima do rio e ela teria ficado mais afastada”, contou a perita.

Mais cedo, um perito criminal da Divisão de Engenharia do Departamento de Criminalística utilizou um drone para realizar o levantamento do percurso que teria sido feito pela ré até o Rio Tramandaí. O objetivo foi mapear e integrar os diferentes locais envolvidos na ocorrência, de forma a tornar mais completo o exame.

O delegado Antônio Carlos Ractz Jr., titular de Delegacia de Imbé que coordenou a investigação, destacou a importância do trabalho realizado pela perícia, especialmente para embasar a decisão no tribunal do júri. Ractz acompanhou toda a reconstituição e avaliou que se confirmou o que já havia sido apurado na investigação policial.

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