
O Tribunal do Júri da Comarca de Santo Antônio da Patrulha condenou, nessa segunda-feira (25), o executor da morte do empresário mineiro Samuel Eberth de Melo, de 41 anos. O crime ocorreu em junho de 2023, no interior do município do Litoral Norte.
O réu Diego Gabriel da Silva foi condenado a 23 anos e 5 meses de reclusão, além de 1 ano de detenção, em regime inicial fechado. Ele foi considerado culpado pelos crimes de homicídio qualificado (por motivo torpe, para assegurar a impunidade de outro delito e recurso que dificultou a defesa da vítima), ocultação de cadáver, porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Já o segundo acusado, Welington Luiz Rodrigues da Silva, genro de Diego, foi absolvido pelos jurados do crime de homicídio qualificado — conforme pedido do próprio Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), responsável pela acusação —, mas acabou condenado pelo crime de ocultação de cadáver. A pena dele foi fixada em 1 ano e 15 dias de prisão no regime aberto.
O julgamento, encerrado no final da noite, foi presidido pelo juiz Rafael Gomes Cipriani Silva, da 1ª Vara Judicial da Comarca patrulhense. O magistrado manteve a prisão preventiva de Diego, determinando que ele não poderá recorrer da sentença em liberdade. Durante a sessão no plenário, foram ouvidas quatro testemunhas, além do interrogatório dos dois réus.
Atuaram na acusação os promotores de Justiça Claudio Rodrigues Araújo e Leonardo Giardin de Souza, auxiliados pelos assistentes de acusação, os advogados Daniel Kessler de Oliveira, Eduardo Bohn Martins e Luciano Iob. A defesa dos réus ficou a cargo dos advogados Jean de Menezes Severo, Isaac Henrique da Silva Mello, Caroline Molin de Andrade e Ariel Garcia Leite.
O Caso

O empresário Samuel Eberth de Melo viajou de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul em junho de 2023 para resolver pendências comerciais e desapareceu. O corpo da vítima foi localizado mais de uma semana depois pela polícia, em uma área de declive, coberto por vegetação e entulhos, na zona rural de Santo Antônio da Patrulha.
Durante as investigações, a Polícia Civil localizou vestígios de sangue em veículos, mensagens suspeitas em telefones celulares, munições compatíveis com as deflagradas no local e a pistola calibre .380 utilizada na execução.
A denúncia do MPRS apontou que o crime foi planejado. A motivação estava ligada a transações comerciais fraudulentas e à intenção do executor de garantir impunidade por crimes anteriores, como estelionato.
A investigação policial detalhou que Samuel havia enviado inicialmente 25 veículos e, posteriormente, outros 44 automóveis ao parceiro de negócios gaúcho, mas nunca recebeu os valores combinados pelas vendas. A dívida acumulada com o empresário mineiro passava de R$ 5 milhões.










