
O Hospital Tramandaí, administrado pelo Instituto Maria Schmitt (IMAS), lançou o edital do primeiro processo seletivo para os Programas de Residência Médica da instituição. Ao todo, são ofertadas 11 vagas distribuídas entre as especialidades de Anestesiologia, Cirurgia Geral e Medicina Intensiva, todas com ingresso previsto para o segundo semestre de 2026.
As inscrições poderão ser realizadas entre os dias 11 e 25 de junho, exclusivamente pela internet. Os programas possuem duração de três anos e bolsa mensal de R$ 4.106,09. A prova objetiva será aplicada em Tramandaí no dia 19 de julho, enquanto as entrevistas estão previstas para os dias 4 e 5 de agosto. O início da residência está marcado para 1º de setembro.
Serão oferecidas quatro vagas para Anestesiologia, três para Cirurgia Geral e quatro para Medicina Intensiva. Os programas são credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM/MEC).
O edital completo pode ser consultado clicando aqui.
Hospital busca consolidar vocação histórica na formação de médicos
Coordenador da Comissão de Residência Médica (COREME) e diretor técnico do Hospital Tramandaí, o médico Noslen Rodrigues afirma que a criação da residência médica é resultado de um trabalho iniciado há cerca de um ano e meio. Em conversa exclusiva com o Litoral na Rede, ele afirma que, além de representar um avanço para a instituição, o programa formaliza uma vocação que o hospital já exercia na prática, servindo como espaço de aprendizado para médicos recém-formados que buscavam experiência em diferentes áreas da assistência hospitalar.
Noslen relata que a implantação do programa exigiu diversas etapas de avaliação e credenciamento. O processo envolveu visitas técnicas, entrevistas com profissionais da instituição e reuniões com a direção do IMAS, até a obtenção das autorizações necessárias para a abertura das vagas.
“Esse processo de residência foi introduzido por mim há 18 meses. Eu identifiquei que nós, em Tramandaí, éramos um grande centro de formação de médicos recém-formados que vinham, às vezes, ganhar experiência em Tramandaí, em todas as áreas. Na ginecologia, no plantão obstétrico, no plantão cirúrgico, no plantão da emergência”, comentou.
Qualificação da assistência
Além de ampliar a capacidade de ensino da instituição, a residência médica deverá refletir diretamente na assistência prestada aos pacientes. Conforme o diretor técnico, a presença dos residentes contribuirá para aumentar o acompanhamento dos casos e fortalecer o trabalho desenvolvido nas diferentes áreas do hospital.
“A gente espera qualificar um serviço que é feito, na grande maioria, por profissionais autônomos. Nosso paciente, fechando as vagas em outubro, vai ser visto por 11 médicos a mais”, projeta Noslen à reportagem do Litoral na Rede.
Ele explica que os médicos residentes já são profissionais formados, mas permanecem em processo de especialização. Por essa razão, eles atuam sob supervisão e dentro de uma estrutura acadêmica que exige constante acompanhamento e cumprimento de protocolos de ensino.
“Quando a gente tem médico residente no serviço, a gente tem um estudante lá dentro. Ele já é médico, mas ele é estudante. Existe uma preocupação dele em cumprir o que a Coreme determina e o que o nosso regimento e toda a parte instrutiva dele representa”, salienta.

Ambiente acadêmico e atualização científica
Outro aspecto apontado pelo diretor técnico é o impacto da residência médica sobre o próprio corpo clínico da instituição. Segundo ele, a presença dos residentes tende a estimular um ambiente de maior produção acadêmica, atualização constante e discussão científica entre os profissionais que atuam no hospital.
“Existe um estímulo ao corpo clínico de médicos atuais em trazer uma qualificação técnica deles mesmos para apresentar para os residentes. Então, só a presença dos residentes vai estimular o nosso corpo clínico a estudar mais e a tratar a rotina, a enfermaria, todos os nossos setores com viés acadêmico, estudando mais, revisando mais, trazendo embasamento científico, trazendo artigos científicos.”
Para dar suporte a esse processo de formação, o Hospital Tramandaí investiu em ferramentas voltadas à educação médica continuada. A instituição adquiriu acesso a uma plataforma especializada em artigos científicos e atualização de conteúdos médicos, que ficará disponível aos residentes durante a formação.
“A gente comprou para o hospital agora, para os residentes, uma base de dados com revisão praticamente mensal sobre qualquer assunto da medicina. O residente que começar vai ter no seu quarto, nos computadores, essa base de dados para revisar tudo isso”, revela Noslen.
“Oficialização de um serviço de residência”
Na avaliação de Noslen Rodrigues, a chegada da residência médica marca uma nova etapa na trajetória do Hospital Tramandaí. Questionado pelo Litoral na Rede sobre o principal objetivo do programa, ele afirma que a ideia é consolidar oficialmente um papel que a instituição já desempenhava de forma informal, ampliando o caráter acadêmico do atendimento prestado à população.
“A gente espera que o nosso paciente seja visto, seja revisto e que a gente transforme agora oficialmente aquilo que no passado era um centro de treinamento indireto, essa característica do Hospital Tramandaí, para os médicos de Porto Alegre, a oficialização de um serviço de residência”, pontua.
O diretor técnico também ressalta que o perfil do hospital, marcado pelo atendimento de urgências, emergências e casos de maior complexidade, oferece aos residentes experiências que complementam a formação obtida na graduação. Para ele, a vivência prática proporcionada pela instituição é um dos diferenciais do programa.
“A faculdade transforma, ensina a medicina, mas no Hospital Tramandaí a gente ensina a ser médico. Porque realmente é aqui que o profissional vai ter aquela vivência, vai ser muito desafiado. É um hospital muito desafiador. E isso vai trazer, com certeza, uma complementação para o médico residente que ele não vê na faculdade”, finaliza Noslen.

Cirurgia robótica integra plano de formação dos residentes
Além da estrutura disponível em Tramandaí, os médicos selecionados para a residência terão acesso aos recursos existentes nos demais hospitais administrados pelo IMAS. Segundo Noslen, a proposta é oferecer uma formação integrada dentro da rede, permitindo que os residentes realizem rodízios em outras unidades e tenham contato com diferentes tecnologias e especialidades.
De acordo com o diretor técnico, uma das novidades mais relevantes é a incorporação da cirurgia robótica em hospitais do grupo. Conforme ele informou ao Litoral na Rede, a rede IMAS passou a contar recentemente com o robô cirúrgico Toumai, da Medbot, equipamento que também foi adquirido pelo Hospital Mãe de Deus e ganhou repercussão nacional ao ser utilizado em uma cirurgia transmitida diretamente da China.
Entusiasta da área e cirurgião robótico, Noslen também revelou que a ampliação em andamento no Hospital Tramandaí já contempla a possibilidade de implantação futura da tecnologia. Segundo ele, a obra prevê a ampliação do centro cirúrgico de três para sete salas, todas concentradas no segundo pavimento da nova estrutura hospitalar. Uma dessas salas foi projetada especificamente para receber procedimentos com cirurgia robótica.

“O residente terá suporte de todo o arsenal presente nos 27 hospitais do grupo. Essa formação complementar ocorrerá em diferentes unidades da instituição. Ou seja, nossos residentes receberão, em todas as áreas, complementação em sua formação”, explicou Rodrigues.










