Governo do RS inicia projeto para instalar tornozeleira eletrônica em agressores de mulheres

Governo do RS inicia projeto para instalar tornozeleira eletrônica em agressores de mulheres

Inédito no país, projeto vai entregar 75 equipamentos para o Litoral Norte até maio de 2024

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Kit possibilita monitoramento simultâneo de agressor e vítima para intervenção imediata das forças de segurança. Foto: Gustavo Mansur / Secom

A prevenção de feminicídios no Rio Grande do Sul está prestes a ganhar uma importante aliada no Rio Grande do Sul. Nessa sexta-feira (19), o governador Eduardo Leite assinou o termo de cooperação que permite ao Judiciário determinar a instalação de 2 mil kits com tornozeleiras eletrônicas em agressores para evitar que se aproximem de vítimas. A previsão é que 75 equipamentos cheguem ao Litoral Norte até maio de 2024.

Inédito no país, o projeto Monitoramento do Agressor busca dar mais segurança às mulheres amparadas por medidas protetivas de urgência (MPU) deferidas pela Justiça com base na Lei Maria Penha. A partir da implantação do programa, e mediante autorização judicial, a vítima receberá um celular com o aplicativo interligado ao aparelho usado pelo agressor. No monitoramento, se ocorrer aproximação à vítima, o equipamento emite um alerta.

Caso o agressor não recue e ultrapasse o raio de distanciamento determinado pela medida protetiva, o aplicativo mostrará um mapa em tempo real e alertará novamente a vítima e a central de monitoramento.

Após este segundo alerta, a Patrulha Maria da Penha ou outra guarnição da Brigada Militar (BM) mais próxima irá se dirigir para o local. O aplicativo foi programado para não ser desinstalado, além de permitir o cadastro de familiares e pessoas de confiança que a vítima possa estabelecer contato para casos de urgência.

Na solenidade, realizada no Palácio Piratini, em Porto Alegre, também foi divulgado o cronograma de implantação e de distribuição dos kits de equipamentos adquiridos a partir de investimento de R$ 4,8 milhões do Programa Avançar. O projeto entra em execução nos municípios de Porto Alegre e Canoas e, na sequência, será expandido para os demais municípios do Rio Grande do Sul.

Para o Litoral Norte, o Estado prevê a entrega de 75 equipamentos no ano que vem, sendo 67 para abril e outros oito para o mês de maio, com o monitoramento ocorrendo nos municípios de Osório e Capão da Canoa, este segundo definido também como base de instalação. A distribuição da tecnologia está baseada em um modelo de risco para agressores e vítimas de violência doméstica desenvolvido pelo Programa RS Seguro em parceria com a London School of Economics.

“Estamos aqui celebrando este avanço nesse entendimento interinstitucional sobre o monitoramento do agressor, porque se nós temos um crime que acontece muitas vezes dentro de casa, sem a capacidade do poder público estar com um policial dentro de cada casa, nós colocamos o Poder Público, através do que a tecnologia nos proporciona, no calcanhar desses agressores”, afirmou o governador Eduardo Leite. “Temos a convicção de que vai nos dar um suporte importante para fazermos esse monitoramento de forma a reduzirmos esses indicadores”, complementou.

Governador assinou o termo de cooperação que formaliza o início da implantação do projeto. Foto: Gustavo Mansur / Secom

Sobre o Monitoramento do Agressor

O projeto é uma iniciativa do Comitê Interinstitucional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher – EmFrente, Mulher, sob a coordenação do RS Seguro, com objetivo de desenvolver uma estratégia pública padronizada para aperfeiçoar a rede de monitoramento de casos de violência doméstica no Estado. A iniciativa ainda agrega ao sistema de Justiça uma solução tecnológica que possibilita duplo monitoramento, tanto do agressor (tornozeleira eletrônica) como da vítima (telefone celular), contemplando o uso e cruzamento de tecnologias já existentes.

As tornozeleiras são feitas de polímero com travas de titânio, que sustentam mais de 150 quilos de pressão. Caso haja tentativa de puxar ou cortar o artefato, os sensores internos enviam imediatamente sinais de alarme para a central de monitoramento. O carregador portátil garante carregamento da bateria em 90 minutos, e a carga dura 24 horas. O sistema emite um alerta em caso de baixa porcentagem de carga.

As equipes da Polícia Civil e da Brigada Militar que atuarão no Monitoramento do Agressor já passaram pela fase de treinamento, para a operação e implantação do projeto. A matriz curricular contou com temas como conceitos e plataforma de monitoramento eletrônico, funcionamento da tornozeleira, testes de uso do dispositivo e simulações.

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