Foragido número 1 do RS é preso pela Polícia Civil no Rio de Janeiro

Ele coordenava esquema logístico de distribuição de cocaína via aérea no RS e traficava armas de guerra, diz a PC

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Foto: Alexandre Nervo / PC

O foragido número 1 do Rio Grande do Sul foi preso nessa segunda-feira (16), durante a Operação Blindspot. Ele estava num restaurante de alto padrão do Rio de Janeiro quando foi surpreendido por agentes da Polícia Civil, por meio da 3ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (DIN), do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc). O nome dele não foi divulgado.

O preso, que desde o início do ano passado estava escondido em Orlando, na Flórida, havia voltado ao país há uma semana, quando foi identificado por agências de inteligência. A equipe de investigação do Denarc conseguiu descobrir o condomínio de luxo em que ele estava escondido, na zona leste da cidade do Rio de Janeiro.

Segundo o delegado Gabriel Borges, responsável pela operação, o investigado começou no mundo do crime há pouco mais de uma década, praticando estelionatos e se aproximando de grandes lideranças em razão de vínculos parentais. Pelo seu conhecimento e articulação, rapidamente ascendeu no mundo do crime. Passou a operar também outros crimes patrimoniais e atuar na lavagem de dinheiro por meio da utilização de pedras preciosas.

O investigado era piloto de corrida automobilística e piloto de aeronaves, e com isso ingressou no esquema de tráfico internacional de drogas, principalmente no transporte de cocaína de países produtores, como Peru e Bolívia, ao estado do Rio Grande do Sul.

No ano de 2021, ele foi alvo de uma investigação do Denarc, sendo preso por operar aeronaves que traziam cocaína ao estado. Além disso, houve o sequestro judicial de uma dessas aeronaves. No ano seguinte, tornou-se um dos principais alvos da operação Kraken, deflagrada pela 1ª Delegacia de Polícia de Sapucaia do Sul, em que mais de 1.300 policiais cumpriram 1.368 ordens judiciais contra a maior organização criminosa do Sul do país, na qual o investigado exerce papel de liderança.

O homem, segundo a polícia, coordenava o esquema logístico de distribuição de cocaína via aérea no estado do Rio Grande do Sul, além de transportar e traficar armas de fogo de guerra, como metralhadoras .50 com capacidade de derrubar aeronaves.

A investigação apurou ainda que o alvo utilizava rotas e pistas clandestinas para a remessa da cocaína, fazendo até mesmo sobrevoos com aeronaves carregadas com cocaína em cima de casas prisionais, como a Penitenciária Estadual do Jacuí.

Em razão dessa investigação, em que houve o sequestro judicial de 38 imóveis e 115 veículos, também foram sequestradas judicialmente duas aeronaves utilizadas pelo alvo no transporte de drogas. Esse mesmo investigado operava um grande esquema de lavagem de dinheiro com a utilização de pedras preciosas, buscando por vezes diamantes e esmeraldas na Europa e na Índia.

Também foi possível apurar a conexão do alvo com o Cartel Mexicano de Sinaloa, em que um dos seus contatos transportava cocaína pela América do Sul e Central com a utilização de um submarino. Durante a ação que deflagrou a operação Kraken, em abril de 2022, o alvo obteve uma ordem judicial de soltura da operação anterior do Denarc e conseguiu fugir do país. A polícia, no entanto, conseguiu monitorar seus passos e apurou que ele fugiu para os Estados Unidos, montando sua base logística em Orlando, na Flórida.

No exterior, o alvo se aliou a um americano e montou uma empresa de aluguéis de veículos, utilizada, segundo a polícia, para lavagem de dinheiro. Lá, levava uma vida de alto luxo, fazendo viagens em barcos de alto padrão e frequentando locais de encontro de celebridades.

Com a ramificação de seus contatos e aumento da base logística, o alvo aumentou de forma exponencial sua capacidade operacional, sendo que atualmente dominava a rota de tráfico aéreo de drogas no Estado do Rio Grande do Sul, introduzindo mais de 400kg de cocaína por semana no estado.

Com alta capacidade financeira, o investigado passou a integrar a cúpula do grupo criminoso, sendo inserido, recentemente, no alerta vermelho da Interpol, que permite que criminosos de repercussão internacional sejam capturados no exterior.

Em novembro de 2022, o acusado foi avistado num aeroporto fora do Brasil, já com seu alerta na difusão vermelha da Interpol, mas percebeu que estava sendo monitorado e fugiu pelo aeroporto, abandonando suas malas e não sendo mais localizado.

Um mês depois, o acusado foi localizado e abordado em um barco de luxo na Guiana acompanhado de outros três brasileiros. Por circunstâncias ainda desconhecidas, o investigado conseguiu, mais uma vez, fugir das autoridades, vindo a se refugiar num país da América Central.

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