
Quando saiu de casa para aproveitar a noite de Carnaval, a estudante Luciana Soares Tavares, de 28 anos, não imaginava que participaria de um dos episódios mais assustadores da sua vida. Ela e uma amiga estavam na ponte pênsil no momento em que a estrutura desabou, na madrugada da última segunda-feira (21), em Torres.
Em entrevista ao Litoral na Rede, a jovem detalhou os momentos de pânico que viveu. Luciana e duas amigas deixaram um bar no município de Torres, onde residem, e resolveram fazer a travessia para a cidade catarinense de Passo de Torres, do outro lado do Rio Mampituba, onde aproveitaram o Carnaval. Por volta das 2h30, elas decidiram retornar a pé cruzando a ponte pênsil, que liga ambos municípios. A estudante confirma o que mostra um dos vídeos revelados logo após o acidente: havia excesso de pessoas sobre a ponte. Algumas delas, inclusive, com comportamento inadequado para a segurança da travessia.
“A gente subiu e, na primeira vez que íamos passar, uma das minhas amigas foi e eu e outra amiga ficamos. Estávamos com receio de passar. Tinha muita gente atravessando e pulando muito, correndo. Por isso decidimos não ir. A gente tinha bebido um pouco também”, lembra a jovem.
A estudante diz não ter ideia da quantidade de pessoas sobre a ponte no momento em que os cabos se romperam, jogando dezenas de homens, mulheres e crianças dentro das águas do Rio Mampituba. “No meio não havia tantas pessoas. A maior quantidade de pessoas acho que estava para o lado do Passo [de Torres]”, descreve.
Quando Luciana finalmente resolveu atravessar, chegou na metade do trajeto de aproximadamente 200 metros e concluiu que a estrutura tinha mais gente do que o permitido – apenas 20 pessoas. O tempo entre o rompimento dos cabos e a queda na água passou tão depressa que a estudante diz não ter percebido qualquer barulho ou sinal de que a estrutura desabaria. Ela pontua que no momento não chovia e também não havia vento significativo.
“Foi desesperador. Só lembro da gente cair, ir pro fundo e subir. Era bem fundo. Eu tava com um sapato muito pesado que não me deixava ficar reta na água. Tive medo de me afogar por causa disso. Quando eu consegui respirar, eu só pensava: ‘mantém a calma’. Quando eu consegui manter a calma, comecei a olhar para os lados e procurar ela [a amiga]”, relata.

As jovens sabiam nadar e, graças ao apoio de pessoas que estavam no local, conseguiram acessar um barco para, em seguida, voltar à terra firme. A segunda amiga de Luciana, que havia atravessado a ponte antes do acidente, veio ao encontro das duas logo após testemunhar o desabamento.
No fim das contas, além de alguns arranhões e dores nas pernas, as duas jovens que caíram na água levaram consigo apenas prejuízos materiais: Luciana teve o alto falante do celular danificado pela água, enquanto a amiga perdeu o aparelho no rio.
Jovem segue desaparecido
Enquanto algumas famílias respiram aliviadas por não terem perdido ninguém na tragédia, parentes e amigos de Brian dos Santos vivem a angústia de não saber onde está o jovem de 20 anos que estaria na ponte pênsil de Torres no momento do acidente.
De acordo com a Polícia Civil (PC), uma investigação preliminar apontou que o GPS integrado ao aparelho emitiu, às 2h21, o último sinal de comunicação. O horário coincide com o da queda da ponte.
Nesta terça-feira (21), as equipes de resgate ampliaram a área de busca, que agora passou a vasculhar também o mar. Brian não faz contato com a família desde a madrugada de segunda (20). O jovem é natural de Caxias do Sul e mora há três meses em Torres. A bicicleta dele foi localizada junto à cabeceira da ponte, mas nenhum outro pertence foi encontrado.
As ações de busca serão mantidas pela segunda madrugada consecutiva. Botes, barcos, jet-skis, helicópteros e mergulhadores também estão empregados nos trabalhos.











