“Eu sou responsável pela tortura psicológica dele”, diz madrasta de Miguel

Bruna Nathiele negou que tenha agredido o filho da ex-companheira

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Julgamento é presidido pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Tramandaí, Gilberto Pinto Fontoura. Foto: Rafael Ribeiro / Litoral na Rede

O encerramento do primeiro dia de julgamento da mãe e da madrasta acusadas de matar o menino Miguel, de sete anos, ocorreu por volta das 22h40 dessa quinta-feira (04) com o interrogatório de Bruna Nathiele da Rosa, de 26 anos de idade, então madrasta da criança. Ela aceitou responder todas as perguntas, exceto as da defesa da ex-companheira.

Bruna declarou que nunca bateu no menino e não era responsável pela morte dele: “Eu sou responsável pela tortura psicológica dele”, admitiu. Disse também que Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues, mãe de Miguel, sempre foi agressiva, desde o início do relacionamento das duas, e que a criança nunca falou sobre as agressões que sofria porque tinha medo de Yasmin.

Bruna relatou que Miguel usava o armário como banheiro e raramente tomava banho. “Começou com ela amarrando ele na cama. Depois ela colocou ele no guarda-roupa porque ela não queria que ele mexesse na comida”, declarou a madrasta ao afirmar que Yasmim era manipuladora, ciumenta e costumava ser bastante agressiva com o próprio filho e com ela.

Sobre o vídeo que ela gravou e que foi encontrado em um celular apreendido pela polícia, onde a mesma ameaça o menino, Bruna afirmou que era uma orientação de Yasmim para que a avó ficasse com Miguel.

Para relembrar, nas imagens a madrasta diz para o menino que estava dentro do armário: “Eu vou te cuidar. Se a tua mãe chegar e tu te mijar, eu te desmonto a pau. Eu te desmonto, eu te desmonto, eu te desmonto e tu vai sair todo quebrado. Se tu se mijar, eu pego o teu mijo e esfrego na tua cara. Tu tá entendendo? E vai ser bem tranquilo pra mim”, disse Bruna na gravação interceptada pela polícia.

Já sobre o caderno onde foram encontradas frases ofensivas e que foram copiadas pelo menino, a madrasta relatou que ocorreu apenas em uma noite. A ré afirmou que foram escritas por Yasmim e que o resultado da perícia comprova isso. “Eu sou um idiota”, “Eu não presto” e “Eu sou um filho horrível” eram algumas das frases.

Já sobre a morte de Miguel, a ré disse que o menino estava na cama sem respirar e que Yasmin o colocou na mala para jogar no rio. Afirmou que a ideia era para que ninguém achasse o corpo.

Bruna durante orientação da defesa. Foto: Rafael Ribeiro / Litoral na Rede

Miguel dos Santos Rodrigues, de sete anos, foi morto no fim de julho de 2021, em Imbé, no Litoral Norte. O corpo que teria sido jogado no Rio Tramandaí, até hoje não foi encontrado. A mãe Yasmin Vaz dos Santos Rodrigues e a madrasta do menino Bruna Nathiele da Rosa, são rés no processo e são julgadas pelo Tribunal do Júri, que começou nessa quinta-feira (04) e segue nesta sexta-feira (05) na Comarca de Tramandaí.

Ambas foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura e ocultação de cadáver. As qualificadoras são motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

A acusação é feita pelo promotor de Justiça André Tarouco e pela promotora de Justiça Karine Teixeira. A advogada Thais Constantin é responsável pela defesa de Yasmin e o advogado Ueslei Natã Dias Boeira atua na defesa de Bruna.

O Júri será retomado nesta sexta-feira (05) às 9h30. O segundo dia começa com as argumentações da acusação e da defesa das rés. A sentença também deve ser apresentada nesta sexta-feira.

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