“Eu nunca perdi a esperança de que um dia iria conseguir” diz transplantada

“Eu nunca perdi a esperança de que um dia iria conseguir” diz transplantada

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270920 TRANSPLANTADA GIZLAINE CAPÃO DA CANOA DOAÇÃO DE ÓRGÃOS 2
Foto: Gizlaine Machado / Arquivo Pessoal
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Foto: Gizlaine Machado / Arquivo Pessoal

A zeladora Gizlaine Machado, de 34 anos de idade, moradora de Capão da Canoa, recebeu há exatamente um ano e cinco meses, uma nova vida. Antes disso, ela lutou para sobreviver, com muita dor e sofrimento. “Eu nunca perdi a esperança de que iria conseguir” relatou.

Gizlaine é transplantada de rim e foi no dia 27 de abril, do ano passado, que ela recebeu esta nova vida. A sua luta para sobreviver não foi nada fácil. Ela conta que ficou desde 2017 na fila de espera para receber o órgão. “Eu fiquei na fila por dois anos. Eu fiquei na hemodiálise. Não é fácil a gente ficar esperando o transplante, porque ficamos emotivas a cada ligação nas madrugadas, pois pensamos sempre que é a nossa vez”, contou.

O órgão que a Gizlaine recebeu é de um doador desconhecido. Mas, não basta dizer que é doador, se a sua família não souber. Situações como a da moradora de Capão da Canoa, se repetem em todo o mundo. No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), atualmente cerca de 40 mil pessoas aguardam na fila por uma doação.

“Hoje estou muito feliz porque a vida da gente muda completamente depois de uma doação de órgãos. Então é preciso que as pessoas se conscientizem e sejam doadores de órgãos e avisem toda a família. Este órgão doado vai viver e muda a vida de muitas pessoas”, afirmou Gizlaine, que é portadora de Lúpus, uma doença inflamatória autoimune, que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro.

Conscientização

Foto: Gizlaine Machado / Arquivo Pessoal

Neste domingo (27) é o Dia Nacional da Doação de Órgãos e durante todo o mês a campanha “Setembro Verde” marca a conscientização sobre a doação de órgãos, reunindo esforços do Ministério da Saúde e de ONGs voltadas ao tema.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2018, foram realizados 26.518 transplantes. Destes, 8.853 foram de coração, fígado, pâncreas, pulmão e rim (sendo este último o com maior número, 5.999); 14.778 de córnea; e 2.877 de medula óssea. Do total de transplantes realizados no País, 96% foram pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que destinou R$ 1.036 bilhão para esse fim.

Queda na Pandemia

O número de doadores de órgãos e tecidos no Rio Grande do Sul caiu significativamente de janeiro a agosto, em relação ao mesmo período do ano passado, por causa da pandemia de Covid-19. Em consequência, houve uma queda de 24% no número de transplantes de órgãos sólidos (coração, pulmão e fígado, por exemplo) e de 54% no de tecidos (córnea, esclera, osso e pele). Nos oito primeiros meses de 2019, o Estado realizou 467 transplantes de órgãos e 877 de tecidos. Neste ano, no mesmo período, foram 356 e 400, respectivamente.

Transplante de córneas

No Rio Grande do Sul, o maior impacto foi registrado no transplante de córneas. O índice de transplantes desse tecido foi 40% menor este ano em relação a 2019. A fim de fazer um aporte nos bancos de córnea para doação, enfermeiros estão em capacitação para realizar a retirada da córnea dos doadores em morte encefálica junto à Organização de Procura de Órgãos (OPO) Cirúrgica da Central de Transplantes.

Processo de Doação de Órgãos e Transplantes

1 – Identificação da morte encefálica e manutenção do potencial doador.

2 – Confirmação da morte encefálica.

3 – Notificação à Central Estadual de Transplantes.

4 – Avaliação do potencial doador.

5 – Entrevista familiar.

6 – Informação do doador.

7 – Seleção dos receptores.

8 – Equipe de transplantes.

9 – Extração e implante dos órgãos.

10 – Liberação do corpo para a família.

Mais informações sobre doação de órgãos e transplantes no site da SES.

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