Estudo identifica alta concentração de microplásticos na praia em Torres

Estudo identifica alta concentração de microplásticos na praia em Torres

Cientistas da PUCRS constataram 650 partículas por quilo de areia coletado na Praia Grande

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Os microplásticos são resultado da fragmentação de plásticos maiores, como embalagens descartadas incorretamente. Foto: Rafael Ribeiro / Litoral na Rede / Arquivo

Um estudo científico, divulgado esta semana, aponta grande concentração de microplásticos na areia da Praia Grande, em Torres. O trabalho realizado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) identificou 650 partículas a cada quilo de areia coletado.

Os microplásticos são pequenas partículas de plástico com menos de 5 mm de diâmetro. Normalmente esses minúsculos detritos são resultado da fragmentação de plásticos maiores, como copos, canudos, sacolas descartados incorretamente.

Para avaliar essa contaminação, foram coletadas amostras de areia em 30 pontos equidistantes na extensão da Praia Grande. Essas amostras foram submetidas a uma série de processos, como separação por densidades, digestão química e técnicas de microscopia de fluorescência para a quantificação das partículas.

Para Maurício Reis Bogo, professor da Escola de Ciências e Saúde da Vida da PUCRS e coorientador do estudo, os microplásticos podem causar potenciais implicações na fauna marinha ou aquática, e até mesmo ambiente terrestre.  “Podemos estar comendo algo orgânico, que não tem inseticida ou pesticida, mas tem plástico. Então é uma coisa que precisa de alerta”, destaca o professor.

Avalição do estudo

A pesquisa destacou que, mesmo o Brasil possuindo uma das costas mais extensas e ricas em biodiversidade, a poluição plástica já foi detectada em várias áreas, especialmente no Sudeste e Nordeste. No Sul, áreas costeiras e fluviais, como a desembocadura do Rio Mampituba, limite de Torres, são mais vulneráveis devido às atividades humanas intensas de agricultura, turismo e pesca.

Ação

Os atores do estudo também apontam que, para mitigar a poluição de partículas nas áreas costeiras, é necessário que sejam elaborados planos municipais de gerenciamento de resíduos mais eficientes. Segundo Kauê Pelegrini, idealizador da pesquisa e doutor formado pela PUCRS, esse planejamento municipal precisa ser feito, pois os plásticos chegam à costa através de rios que desembocam no litoral.

“Evitar ou minimizar que os resíduos plásticos atinjam o meio ambiente é fundamental para reduzir a presença de microplásticos nessas regiões. Limpezas nas praias também são muito importantes e eficazes, visto que quanto mais tempo os resíduos plásticos estiverem expostos à radiação solar, às águas do mar e outras formas de intemperismo, maior a propensão de geração de microplásticos”, comenta.

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