“Estávamos seguros de que conseguiríamos voltar”, diz mulher encontrada após quase 48 horas em cânion no RS

“Estávamos seguros de que conseguiríamos voltar”, diz mulher encontrada após quase 48 horas em cânion no RS

Carmelita Rodrigues dos Santos contou que grupo tinha comida, água e fez um acampamento após chuva e neblina impedirem a descida em Morrinhos do Sul
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Grupo de trilheiros que estava desaparecido desde domingo no cânion Tajuvas, em Morrinhos do Sul, foi encontrado nesta terça-feira. Foto: Divulgação / CBMRS

As quatro pessoas que estavam desaparecidas desde domingo (30) no cânion Tajuvas, em Morrinhos do Sul, estavam bem, com comida, água e protegidas do frio durante o período em que permaneceram isoladas na mata. A informação foi relatada por uma das integrantes do grupo, Carmelita Rodrigues dos Santos, de 47 anos, ainda na manhã desta terça-feira (1º), pouco depois de os trilheiros ser localizado pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS).

Carmelita afirmou que ela, o filho Bernardo dos Santos, de 15 anos, e o casal Tatiana de Oliveira Hoffmann, 41, e Wagner Leri da Silva Almada, 38, decidiram montar um acampamento depois que uma forte mudança nas condições do tempo impediu a continuidade da descida.

“Estamos ótimos. Tínhamos comida, água, não passamos frio nem fome. Simplesmente ficamos lá mais tempo do que o esperado porque fechou o tempo. Por medida de segurança, montamos um acampamento, foi isso que aconteceu”, relatou à Rádio Gaúcha.

Segundo ela, o grupo pretendia retornar no domingo, mas encontrou condições de baixa visibilidade durante o trajeto.

“A nossa volta seria no domingo, quando começamos a descer o tempo fechou. A neblina fechou totalmente, não conseguimos ver mais nada. E também começou a chover. Por medida de segurança resolvemos montar acampamento, um acampamento muito bom. Fizemos fogueira, tinha tudo lá”, contou.

Carmelita também explicou que o grupo aguardava uma melhora nas condições meteorológicas para deixar o local com segurança. De acordo com ela, os quatro estavam confiantes de que conseguiriam retornar.

“Estávamos seguros de que conseguiríamos voltar. Só estávamos aguardando um dia assim, com visibilidade boa, para que pudéssemos descer. Esse encontro [do grupo com as equipes de busca] só nos ajudou”, finalizou.

Bombeiros realizaram buscas a quatro pessoas que desapareceram no cânion Tajuvas, em Morrinhos do Sul. Foto: CBMRS

Como ocorreu a separação

Segundo relato do guia Marcelo Veiga da Silva à Rádio Gaúcha, ele havia combinado de iniciar a trilha no sábado (29) com os quatro amigos de Caxias do Sul e outra mulher. Conforme o guia, os quatro diziam ter experiência em trilhas e utilizavam o aplicativo Wikiloc para acompanhar trajetos já percorridos. Por isso, segundo Marcelo, eles preferiam seguir separados dele e da outra integrante do grupo.

Ainda no sábado, todos chegaram a um mirante conhecido como Pé do Gigante, onde montaram as barracas para passar a noite. O guia afirma que, a partir dali, os quatro foram se afastando dos demais.

“Começaram a se afastar mais ainda da gente, eles realmente nos deixaram de lado”, contou Marcelo.

Na manhã de domingo, por volta das 9h, Marcelo diz ter alertado que o tempo estava mudando e sugerido o início do retorno. Segundo ele, todos concordaram. Antes de deixar o local, porém, Wagner teria pedido para voltar a um ponto onde havia esquecido uma faca.

“Falei assim: ‘Tu não vai sozinho ali, eu vou contigo’”, relatou o guia.

Grupo acabou se perdendo durante retorno

Ainda conforme o relato do guia à Rádio Gaúcha, foi durante o retorno que os quatro acabaram se afastando e se perderam. Marcelo afirma que decidiu deixá-los seguir à frente porque demonstravam preferência por fazer o percurso sozinhos, enquanto ele acompanhava a outra mulher.

A preocupação surgiu quando ele deixou de ouvir as vozes do grupo. Marcelo então teria levado a outra integrante até o final da trilha, esperando encontrar os quatro no ponto de chegada, mas eles não apareceram.

Grupo foi localizado na manhã desta terça

Os quatro foram encontrados pelos bombeiros na manhã desta terça-feira, após quase 48 horas desaparecidos. Eles estavam acampados em uma área de difícil acesso, mais afastada da trilha percorrida inicialmente.

Segundo o capitão Remísio Wilms, do 9º Batalhão de Bombeiro Militar (9º BBM), as equipes refizeram de forma criteriosa o trajeto informado pelo guia e ampliaram as buscas para trilhas próximas.

As buscas foram iniciadas ainda no domingo e seguiram durante a segunda-feira sob chuva e forte neblina. Na madrugada desta terça, por volta de 1h, drones térmicos chegaram a identificar focos de calor em meio à mata, mas as equipes que foram ao local não encontraram os desaparecidos. A suspeita era de que os sinais tivessem sido provocados por animais.

O local onde o grupo estava não havia sido identificado inicialmente. A operação contou com diferentes unidades do CBMRS, além do apoio de moradores e guias que conhecem a região.

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