Estado garante R$ 1,78 milhão para implantação da oncologia no Hospital São Vicente, em Osório

Recursos serão usados em obras, equipamentos e custeio inicial do serviço no Litoral Norte; saiba previsão de início

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Foto: Rodrigo Ziebell/Ascom GVG

O governo do Estado garantiu, nesta sexta-feira (26), o repasse de R$ 1,78 milhão ao Hospital São Vicente de Paulo, em Osório, para viabilizar a implantação do serviço de oncologia e a aquisição de novos equipamentos hospitalares. Os convênios foram assinados pelo governador em exercício, Gabriel Souza, e pelo prefeito do municipio, Romildo Bolzan Jr., entre outras autoridades. A previsão é de que as ações comecem no início de 2026.

Os recursos do Programa Avançar Mais na Saúde permitirão o início das obras e da estruturação do atendimento. O principal investimento, no valor de R$ 1.303.445,12, será destinado para reforma e adequação das áreas físicas que irão abrigar o futuro serviço de terapia antineoplástica, etapa fundamental para a habilitação e o funcionamento da oncologia no hospital. Além disso, o Estado também garantirá o custeio do serviço enquanto não houver habilitação federal, assegurando o início do atendimento à população sem atrasos.

“Estamos viabilizando a implantação da oncologia em Osório, um serviço essencial que vai evitar deslocamentos longos e desgastantes de pacientes do Litoral Norte. O Estado não apenas está investindo na estrutura, mas também assumirá o custeio enquanto o serviço não for habilitado pelo Ministério da Saúde, para que ele comece a funcionar o mais rápido possível”, afirmou o governador em exercício.

A secretária da Saúde, Arita Bergmann, destacou que a liberação dos recursos foi possível graças ao trabalho técnico realizado durante o período de intervenção estadual.

“A intervenção permitiu estruturar o projeto, obter as aprovações técnicas necessárias e garantir a liberação dos recursos. Com isso, as ações poderão iniciar já no começo de 2026”, salientou.

O prefeito de Osório, Romildo Bolzan, ressaltou o alcance regional da implantação do serviço de oncologia.

“Estamos falando de um serviço que atende não apenas Osório, mas todo o Litoral Norte. Hoje, dezenas de pacientes precisam se deslocar mensalmente para Porto Alegre para tratamento. Esse investimento representa menos burocracia e mais solução para a vida das pessoas”, destacou.

Estrutura e equipamentos

Além da obra para a oncologia, um segundo convênio, no valor de R$ 486.449,92, prevê a aquisição de equipamentos hospitalares, com foco na qualificação do atendimento e na segurança dos pacientes, especialmente na Central de Material Esterilizado (CME).

“Esse investimento fortalece a regionalização da saúde e mostra que, com as contas do Estado em dia, é possível fazer entregas concretas, ampliar serviços e cuidar das pessoas, especialmente em regiões que mais precisam de estrutura de média e alta complexidade”, completou Gabriel Souza.

O convênio para aquisição de equipamentos contempla dois sistemas de radiologia direta, lavadoras ultrassônicas (para a CME e para endoscópios), dez cufômetros, seladora, incubadora, duas osmoses reversas, transdutor linear, servidor de rede e bomba de vácuo, ampliando a capacidade técnica e a segurança assistencial do hospital.

Hospital São Vicente de Paulo, em Osório. Foto: Reprodução / Redes sociais / HSVP / Arquivo

Mais recursos

Com aproximadamente 1.000 novos casos de câncer por ano, o Litoral Norte do Rio Grande do Sul tem a expectativa de contar com tratamentos de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para que pacientes oncológicos não tenham que se deslocar para outras regiões, no entanto, ainda há etapas a serem vencidas.

O custo estimado para implantação do serviço de oncologia é de R$ 19 milhões. Além do valor anunciado no ato desta sexta-feira, o hospital já conta com recursos destinados pelo deputado federal Alceu Moreira (MDB), que repassou R$ 2 milhões para a implantação do serviço, e do deputado estadual Luciano Silveira (MDB), que já havia destinado R$ 1 milhão.

A esses valores devem se somar montados oriundos de outros programas dos governos estadual e federal. No mês passado, a reportagem do portal Litoral na Rede solicitou à direção do Hospital São Vicente de Paulo informações sobre quais etapas precisam ser vencidas para que a oncologia efetivamente comece a prestar atendimentos aos pacientes dos 23 municípios da região.

Em nota assinada pela interventora Eleonora Walcher, a instituição detalhou que, além do valor reivindicado junto ao Governo do Estado, o hospital necessitará investir em equipamentos, cujo custo está estimado em cerca de R$ 18 milhões. Esse montante contempla a estrutura necessária para o serviço de terapia antineoplásica, a ampliação do bloco cirúrgico e a readequação de 15 leitos de cuidados prolongados.

O serviço de oncologia será instalado em uma área já existente no hospital, composta por uma estrutura antiga que será integrada a uma ala já construída, passando por um processo de reforma e adequação para atender às necessidades do novo serviço.

Sob intervenção estadual desde 2022, o Hospital São Vicente de Paulo completou 100 anos em 2025. De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), a instituição possui 128 leitos, sendo 108 destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), com atendimento nas áreas de cirurgia geral, clínica geral, nefrologia, saúde mental, obstetrícia clínica e cirúrgica, psiquiatria e pediatria clínica.

Capacidade de atendimento do novo serviço

  •  5.300 sessões de quimioterapia
  •  3.000 consultas em oncologia clínica
  • 600 ecografias
  • 600 exames de endoscopia/colonoscopia
  • 1.200 exames anatomopatológicos
  • 650 cirurgias oncológicas

Custeio do Centro de Oncologia

Esses serviços serão incorporados ao contrato do hospital, com um valor anual de custeio federal de R$ 5.501.262, destinado à manutenção da linha de cuidado oncológica.

Previsão para início dos atendimentos

O início do funcionamento depende da habilitação federal, etapa que normalmente leva de 6 a 12 meses e só pode ser iniciada após duas condições:

  • Conclusão da obra e das adequações estruturais, cuja execução é estimada em 4 a 6 meses.
  • Vistoria e aprovação da Vigilância Sanitária, necessária para confirmar que o serviço atende a todos os requisitos técnicos.

Após essas etapas, o processo de habilitação é formalizado. Portanto, o início das atividades dependerá da soma dos prazos de obra, vistoria e habilitação federal.

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