
O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, afirmou que as pessoas que já receberam a vacina contra a dengue desenvolvida pela instituição podem ficar tranquilas em relação à proteção oferecida pelo imunizante. A declaração foi feita nesta terça-feira (9), um dia após o Ministério da Saúde anunciar a suspensão temporária da aplicação da vacina em todo o país.
Segundo Kallás, quem já completou 21 dias desde a vacinação pode contar com a proteção demonstrada nos estudos clínicos. De acordo com o Instituto Butantan, a vacina apresentou eficácia de 79,6% contra a doença e de 89% contra casos graves.
A suspensão foi adotada de forma preventiva após o sistema de farmacovigilância identificar 42 casos de eventos adversos graves entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas. Entre esses registros, duas mortes estão sendo investigadas para verificar se existe relação com a aplicação do imunizante.
“Quem já tomou a vacina pode ficar absolutamente descansado. […] Todos aqueles que já receberam a vacina podem contar com a proteção que ela promete, de 65% de não pegar a doença cinco anos após a aplicação e 80% para não desenvolver dengue grave”, disse Kallás à GloboNews.
Casos seguem sob investigação
Conforme o Ministério da Saúde, até 30 de maio haviam sido aplicadas aproximadamente 500 mil doses da vacina, sendo mais de 417 mil em profissionais de saúde. Nesse período, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% do total de vacinados.
Dos registros, 42 apresentaram sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três casos foram classificados como graves, incluindo duas mortes que seguem em investigação.
Durante coletiva realizada na segunda-feira (8), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não há elementos suficientes para estabelecer uma relação de causa e efeito entre a vacina e os casos mais graves registrados.
Orientação para quem foi vacinado recentemente
O Ministério da Saúde recomenda atenção especial às pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias. A orientação é procurar atendimento médico e comunicar as autoridades de saúde caso surjam sintomas como:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
Segundo Kallás, o período de 21 dias é considerado importante para o acompanhamento após a vacinação. Passado esse prazo, a pessoa passa a usufruir da proteção demonstrada nos estudos científicos.
O que é farmacovigilância?
A farmacovigilância é o sistema utilizado para monitorar a segurança de medicamentos e vacinas após sua liberação para uso na população. O objetivo é identificar eventos adversos raros que podem não ter sido observados durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação do produto.
Foi justamente por meio desse monitoramento que os casos suspeitos foram identificados, levando o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a determinar a suspensão temporária da vacinação até a conclusão das investigações.
Vacina segue sendo defendida pelo Butantan
Mesmo com a interrupção temporária, o Instituto Butantan mantém confiança na eficácia e na segurança do imunizante. Segundo Esper Kallás, as análises epidemiológicas devem ser aprofundadas para esclarecer os casos registrados, mas os dados disponíveis até o momento indicam que a vacina continua sendo uma importante ferramenta de combate à dengue.
Desenvolvida pelo Butantan, a vacina é a primeira do mundo aplicada em dose única e também a primeira produzida integralmente no Brasil. A imunização começou neste ano, inicialmente voltada aos profissionais de saúde.
Em nota, o Instituto Butantan informou que seguirá colaborando com o Ministério da Saúde e com a Anvisa na investigação dos casos e reforçou que a suspensão tem caráter preventivo, com o objetivo de garantir a segurança da população.










