Criminosos usavam imagem de criança de Capão da Canoa para aplicar golpes

Criminosos usavam imagem de criança de Capão da Canoa para aplicar golpes

Três homens foram presos no Paraná e em Minas Gerais em operação da Polícia Civil

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Operação prendeu, no PR e MG, investigados por aplicar golpes usando imagem de criança de Capão da Canoa. Foto: Polícia Civil

A Polícia Civil gaúcha deflagrou, na manhã desta quinta-feira (28), a Operação Eclipse, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado em fraudes eletrônicas. Os criminosos utilizavam a internet para divulgar falsas campanhas beneficentes, tendo como principal alvo a comoção pública gerada pelo estado de saúde de uma criança da região.

A ação policial é resultado de uma investigação instaurada logo após a identificação de que o grupo utilizava indevidamente a imagem, a história e o conteúdo produzido pela família de uma criança de 10 anos, residente no município de Capão da Canoa, no Litoral Norte do RS. O menino é portador de distrofia muscular de Duchenne — uma doença rara cujo tratamento possui elevado custo financeiro — e a família realizava uma campanha legítima para arrecadar fundos.

Como funcionava o golpe na internet

Conforme apurado pela Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPRCC/Dercc), coordenada pelo delegado Marcos Vinícius De David, os criminosos criavam páginas falsas de arrecadação e anúncios patrocinados em redes sociais.

“As publicações fraudulentas reproduziam imagens da criança, informações sobre sua condição de saúde e elementos visuais semelhantes aos utilizados em plataformas verdadeiras de financiamento coletivo, conferindo aparência de legitimidade às campanhas”, informou a Polícia Civil.

Ao simular o canal solidário verdadeiro, a quadrilha induzia as vítimas em erro para que realizassem transferências via PIX. Durante a apuração, os policiais identificaram que uma única campanha fraudulenta chegou a exibir uma arrecadação superior a R$ 248 mil.

A análise das movimentações financeiras revelou um fluxo financeiro milionário nas contas vinculadas à empresa utilizada pelos investigados. O padrão era típico de estelionatos virtuais: um elevado volume de transferências de pequeno valor realizadas por múltiplas vítimas de diferentes estados do país.

Prisões e mandados pelo país

Ao todo, estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva, seis mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares para o bloqueio de ativos financeiros nos estados do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Até o momento, três homens foram presos.

Um dos suspeitos, de 30 anos, apontado como o responsável pela estrutura financeira utilizada no esquema criminoso, foi detido em Curitiba (PR). Outro investigado, também de 30 anos, seria responsável pela operacionalização das empresas utilizadas para a movimentação dos valores ilícitos, e foi preso em Londrina (PR). O terceiro, de 31 anos, capturado em Contagem (MG), foi identificado como o responsável pelo registro e manutenção dos domínios das páginas falsas.

Durante a ofensiva, a polícia apreendeu um veículo que servirá para garantir o ressarcimento da vítima, uma arma de Airsoft e diversos elementos que comprovam o uso de gateways de pagamento na prática criminosa. Os investigados utilizavam uma sofisticada estrutura digital, incluindo o registro de sites em servidores localizados fora do território nacional.

O nome da operação, Eclipse, faz referência direta à empresa utilizada na estrutura financeira do esquema, bem como ao ocultamento e à dissimulação dos valores obtidos por meio das fraudes. As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outras vítimas, eventuais coautores e a extensão total dos prejuízos causados pelo grupo criminoso.

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