
Uma corrida contra o tempo, o silêncio angustiante de um bebê que não consegue chorar e a reação imediata de quem estava no lugar certo, na hora exata. Foi assim que uma menina de apenas sete dias de vida teve a vida salva no início da noite de sábado (10), em Terra de Areia, após se engasgar com leite materno.
Por volta das 18h50, o quartel do Pelotão de Bombeiro Militar foi tomado pela urgência. Daniel Brehm Justin, pai da recém-nascida Antonella, entrou correndo com o carro no pátio da corporação, carregando a filha nos braços e pedindo socorro. Ao lado da esposa e mãe da menina, Camila Ferreira Lemes, ele buscou socorro na tentativa de fazer a filha do casal voltar a respirar.
Dentro do quartel, bombeiros realizavam atividade física quando receberam o pedido desesperado de socorro de Camila e Daniel. Entre eles estava o soldado Giezon Basilio Rocha, bombeiro desde 2012. Ele relembrou o caso em conversa exclusiva com o portal Litoral na Rede, na noite desse domingo (11).
Basilio contou como foi parte do procedimento conduzido por ele e pelos colegas para tentar salvar a vida da pequena Antonella. Sem tempo para pensar, os militares iniciaram imediatamente as manobras de desobstrução das vias aéreas, técnicas para as quais os bombeiros são treinados e capacitados para executar. A fragilidade extrema da bebê, no entanto, tornava cada movimento ainda mais delicado.
“Claro que há uma dificuldade por se tratar de um bebê tão frágil. O medo de machucar, o medo de causar alguma outra lesão”, relatou, lembrando que, em meio ao revezamento de tentativas, pequenos sinais passaram a indicar que a luta estava surtindo efeito: “No momento que a gente conseguia fazer a manobra, notei que ela apertou o meu dedo. Eu disse: ótimo, tá responsivo”, lembrou Giezon.
Mesmo assim, o estado da criança era crítico. Basilio lembra que observou que as extremidades da menina já começavam a ficar roxas, sinal de que o organismo direcionava o pouco oxigênio restante aos órgãos vitais. Sem perder tempo, a equipe colocou a bebê na ambulância e seguiu em alta velocidade para buscar ajuda médica no Pronto Atendimento de Terra de Areia.
O trajeto foi facilitado pela ação de equipes do Comando de Polícia Rodoviária da Brigada Militar (CPRv BM) que, àquela altura, já haviam sido informados da gravidade da ocorrência e trancaram alguns pontos do trânsito para facilitar a passagem do veículo de emergência. Após atendimento inicial no pronto atendimento, com direito a incansáveis manobras por parte dos socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a recém-nascida finalmente desengasgou. Ela recebeu suporte com oxigênio e foi removida ao Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa.
“A gente efetuou as manobras e deslocou com brevidade. O médico na emergência já nos auxiliou, a gente seguiu ali ajudando as enfermeiras também. Depois ela foi para o hospital de Capão da Canoa. O pessoal do SAMU relatou para nós que até mesmo ali ela chorou. Depois do que a gente fez, as manobras, ela chorou, mas que houve uma melhora significativa posterior, lá quase chegando no hospital de Capão da Canoa”, detalha o bombeiro.
Ouça as entrevistas:
Gratidão e sentimento de dever cumprido
Do outro lado dessa história estava o desespero de uma família. Daniel também contou ao Litoral na Rede como viveu, ao lado da esposa e mãe da menina, Camila Ferreira Lemes, o momento de tensão para tentar salvar a filha recém-nascida do casal. A decisão de correr até os bombeiros foi instintiva do casal após tentativas em vão de fazer a filha voltar a respirar.
“A gente lembrou na hora da questão dos bombeiros também realizarem esse procedimento. Não por ser perto, mas por saber que eles também estão preparados para esse tipo de atendimento”, explica.
Antonella passou por exames no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, e recebeu alta poucas horas depois. A família, aliviada, enviou ao comando do Pelotão de Bombeiro Militar de Terra de Areia um agradecimento emocionado.
“Somos gratos a Deus por tudo que ele agilizou indo a nossa frente e preparando tudo, todas as equipes que nos atenderam do começo ao fim. Em especial a vocês do Corpo de Bombeiros, que deram o primeiro atendimento e correram em busca de recursos sem medir esforços pra salvar nossa filha”, disse a mensagem enviada aos bombeiros e compartilhada em um grupo interno de serviço da corporação.
“Foi uma sensação de dever cumprido, de missão cumprida. É gratificante poder ajudar”, disse o bombeiro Basilio. Pai também, ele admite que a ocorrência deixou marcas. “A gente se coloca no lugar dos pais, porque poderia ter sido com um filho nosso”, finalizou.
Reconhecimento do comando
Comandante do Corpo de Bombeiros de Terra de Areia, o tenente Cristian Pujol elogiou o trabalho rápido e decisivo realizado pela equipe que treinava no quartel no momento da ocorrência.
“Eu falei para eles no nosso grupo de WhatsApp: vocês já pararam pra pensar que vai ter uma família agradecida a vocês, pelo resto da vida, por terem salvado o filho deles? Isso aí não foi pouca coisa. Acontece uma vez ou outra na vida da gente”, comentou Pujol à reportagem do Litoral na Rede.










