Como golpistas do Litoral Norte faziam vítimas na Capital do Brasil

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Dois homens foram presos em Osório; Polícia Civil do DF cumpriu mandados também em Arroio do Sal, Tramandaí, Torres, Esteio, Sapucaia do Sul e Itapema

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Dois homens foram presos em Osório. Foto: PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quinta-feira (06), uma operação contra uma organização criminosa especializada em extorsões mediante fraude digital. Integrantes da quadrilha se passavam por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) para extorquir vítimas.

Foram cumpridos 11 mandados de busca, apreensão e sequestro de bens, além de três de prisão preventiva, em seis municípios do Rio Grande do Sul: Osório, Arroio do Sal, Tramandaí, Torres, Esteio e Sapucaia do Sul. Os policiais também estiveram em Itapema, Santa Catarina.

Em Osório, dois homens foram presos. Eles responderão por lavagem de dinheiro, extorsão e organização criminosa. O terceiro alvo da operação não foi localizado e segue foragido.

A ofensiva é fruto de uma investigação conduzida pela 5ª Delegacia de Polícia, localizada no Bairro Asa Norte, em Brasília. As diligências tiveram início em 29 de janeiro de 2024, após uma ocorrência registrada no local que revelou um modus operandi sofisticado do grupo. Eles criaram um site falso de acompanhantes para aplicar os golpes.

“Os alvos eram abordados por aplicativos de mensagens instantâneas e submetidos a grave intimidação psicológica, incluindo o recebimento de imagens de armas de fogo e ameaças diretas a familiares. Os criminosos utilizavam a denominação de facção criminosa para potencializar o temor das vítimas e forçá-las a realizar transferências via Pix”, informa a PCDF.

Inquérito

No episódio que originou o inquérito policial, a vítima efetuou duas transferências que somaram R$ 1 mil, após ter dados pessoais sensíveis expostos pelos extorsionários como forma de validar a ameaça e demonstrar capacidade de localização.

O avanço das diligências investigativas, porém, expôs dimensão significativamente maior do esquema. Mediante análise de inteligência financeira e afastamentos de sigilo judicialmente autorizados, foi possível identificar movimentação superior a R$ 2,65 milhões.

O rastreamento patrimonial evidenciou padrão típico de ocultação: transações fracionadas, contas interpostas e fluxos cruzados entre titulares vinculados por laços familiares ou associativos — técnica característica da fase de dissimulação (layering) na lavagem de capitais.

Com as provas reunidas, o Poder Judiciário expediu mandados de prisão preventiva contra o principal articulador do esquema e uma comparsa.

As investigações apontam para a prática de extorsão (art. 158 do Código Penal), lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998) e atuação em organização criminosa voltada à prática reiterada de fraudes e extorsões mediante dispositivos eletrônicos — delitos cujas penas máximas somadas ultrapassam 28 anos de prisão.

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