Com lavagem e pintura, acusado de feminicídio tentou enganar a polícia em Balneário Pinhal

Com lavagem e pintura, acusado de feminicídio tentou enganar a polícia em Balneário Pinhal

Veja como foi a investigação que revelou medidas adotadas por homem que confessou o assassinato e ocultação de corpo da companheira; prisão em flagrante foi convertida em preventiva

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Pericia com luminol identificou que suspeito limpou sangue em roupas, móveis e piso da residência onde ocorreu o feminicídio em Balneário Pinhal. Foto: Polícia Civil

A investigação sobre o assassinato de uma mulher pelo companheiro em Balneário Pinhal identificou que, além de ocultar o cadáver da vítima, o acusado adotou uma série de medidas para esconder o crime, tentar enganar as autoridades e evitar ser responsabilizado. O trabalho da Polícia Civil (PC), em conjunto com o Instituto-Geral de Perícias (IGP), frustrou o plano e revelou ações como a pintura de paredes e a lavagem de roupas e da faca usada no feminicídio.

O autônomo Odilon Pacheco da Silva, de 42 anos, foi preso em flagrante na última segunda-feira (24), depois que policiais da Delegacia de Balneário Pinhal encontraram o corpo da companheira dele, a atendente de farmácia Geneci Maria de Assis Francisco, de 57 anos. O cadáver estava enterrado dentro de uma fossa séptica no pátio da residência onde o casal morava, na Praia do Magistério.

Um dia depois, a partir de representação do delegado Rodrigo Nunes — embasada em todos os elementos colhidos na investigação — a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. De acordo com Nunes, o homem será indiciado por feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual, porque “vários vestígios foram removidos e adulterados para dificultar a investigação”.

O que a Polícia Civil esclareceu após localizar o cadáver

Na cena do crime, policiais e peritos do IGP identificaram que o homem havia lavado locais e roupas com sangue, além de pintar uma parede para tentar ocultar o crime. A descoberta ocorreu com o uso de luminol, reagente químico utilizado na perícia criminal para detectar vestígios de sangue, mesmo após lavagem ou limpeza.

Com o mesmo reagente, foi identificado sangue em uma faca de cozinha, que o autor teria usado para matar a vítima, após atingi-la com um chute no peito e derrubá-la no chão, causando ferimentos na cabeça.

Vestígios de sangue em faca de cozinha que teria sido usada por autor de feminicídio. Foto: Polícia Civil

Próximos passos da investigação

Os policiais constataram ainda que havia uma câmera de monitoramento na residência onde ocorreu o feminicídio e analisarão se o equipamento capturou e armazenou alguma imagem ou áudio que possa complementar o inquérito policial.

No imóvel, os agentes encontraram os pertences da vítima, incluindo o telefone celular e o cartão bancário. “O juiz já autorizou a quebra de sigilo bancário. Vamos ver se ele usou dinheiro da vítima depois que ela morreu”, detalhou o delegado Rodrigo Nunes.

Relembre o caso

O corpo de Geneci Maria de Assis Francisco estava dentro da fossa séptica no pátio da residência localizada na Rua Santa Maria. Os investigadores foram até o imóvel após receberem a informação de que a mulher não comparecia ao trabalho, em uma farmácia, havia 11 dias.

Corpo de vítima de feminicídio foi encontrado dentro de fossa em Balneário Pinhal. Foto: Polícia Civil

Além disso, vizinhos relataram que não viam mais Geneci e que, antes do desaparecimento, ouviram gritos e brigas vindos do interior da casa. Segundo o delegado Rodrigo Nunes, o acusado disse a uma vizinha que a companheira havia ido para a casa de familiares em Santa Catarina após um desentendimento e chegou a fazer ameaças caso a polícia fosse acionada.

Ao chegarem ao local, os policiais perceberam areia revirada no pátio e questionaram o investigado, que negou qualquer crime. Os agentes, no entanto, cavaram a área da fossa séptica e encontraram o corpo.

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