Caso de cão morto a tiros em Cidreira é investigado; vereador nega envolvimento

Caso de cão morto a tiros em Cidreira é investigado; vereador nega envolvimento

Brigada Militar apreendeu arma, carregadores e munições durante ocorrência; delegado afirma que autoria ainda não está confirmada

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Nova Delegacia de Polícia de Cidreira. Foto: Ticiano Kessler /* Litoral na Rede

A morte de um cão a tiros no bairro Pinus Parque, em Cidreira, está sendo investigada pela Polícia Civil (PC). A ocorrência foi atendida pela Brigada Militar (BM) na sexta-feira (12) e mobilizou moradores da região, gerando repercussão e revolta nas redes sociais.

Conforme a Brigada Militar, a ação foi registrada como ocorrência de maus-tratos a animal. Durante o atendimento, os policiais identificaram um homem de 43 anos e apreenderam uma pistola, dois carregadores e dez munições intactas. O material foi encaminhado para os procedimentos legais.

A reportagem de Litoral na Rede teve acesso a imagens que mostram o labrador Branquinho morto e com marca de sangue pelo corpo. Como os vídeos e fotos obtidos são fortes, o portal optou por não divulgá-los.

A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil. Em contato com o portal, o delegado Marco Swirski, responsável pela Delegacia de Polícia de Cidreira, afirmou que a autoria do disparo ainda não foi confirmada.

“Sem confirmação da autoria no momento. Nenhuma testemunha apontou com certeza de quem foi o vereador. O fato está sendo investigado e quem tiver informações deve entrar em contato com a Polícia Civil”, declarou o delegado ao Litoral na Rede.

Vereador se manifesta

Nas redes sociais, moradores passaram a apontar como suposto autor do disparo o vereador Everton Oliveira da Costa, conhecido como Everton Coisa Boa (PL). Procurado pela reportagem, o parlamentar negou qualquer participação na morte do animal.

Segundo ele, o caso ocorreu em frente ao mercado de sua propriedade e ele prestou depoimento às autoridades logo após os fatos. O vereador relatou que costumava manter água e ração disponíveis para cães que circulam pela região. Segundo ele, os animais envolvidos no episódio não eram seus, mas frequentavam o local há bastante tempo.

Everton também afirmou que os cães vinham sendo motivo de preocupação entre moradores do bairro devido a ataques registrados recentemente. Ele aponta uma suposta motivação política para a acusação que sofreu.

“Esses bichos vêm há mais de 30 dias mordendo pessoas aqui na volta. Quem está me acusando é porque hoje eu sou do PL e essa pessoa é do PT. Então eles odeiam a gente, eles detestam. Eles nem vêm no meu mercado. E daí já virou rixa política, né? Quem me conhece sabe que eu jamais faria uma coisa dessa”, afirmou Everton.

De acordo com o vereador, uma das hipóteses levantadas por moradores é de que o autor dos disparos seja uma pessoa revoltada após o filho ter sido mordido por um dos cães. Ele afirma ter repassado informações às autoridades e colaborado com as investigações.

Embora negue autoria, o vereador disse entender a atitude do suposto autor dos tiros contra Branquinho. Ao Litoral na Rede, o político ressaltou que o fato de o cachorro ter mordido a criança pode ter gerado a reação do pai.

“Claro que eu não sou a favor de matar os bichinhos. Mas eu não fico com raiva desse cara. Eu entendo, me coloco no lugar dele como pai. O cara foi ali e matou o cachorro porque o cachorro mordeu o filho dele. Eu não sei o que eu faria se fosse no lugar dele, se mordesse o meu filho. Mas eu não tenho nada que ver com a morte do cachorro”, completou.

Investigação continua

A Polícia Civil não divulgou detalhes sobre as diligências em andamento e reforça que a apuração segue para esclarecer as circunstâncias da morte do animal e identificar o responsável pelos disparos. Até o momento, não houve indiciamentos nem confirmação oficial sobre a autoria do crime.

O caso segue sob investigação da Delegacia de Polícia de Cidreira.

Câmara de Vereadores divulga nota de repúdio

A repercussão do caso levou a Câmara de Vereadores de Cidreira a divulgar uma nota oficial de repúdio à morte do animal. No comunicado, o Legislativo municipal destacou que a senciência animal é reconhecida pela legislação brasileira e lembrou que maus-tratos contra animais configuram crime ambiental, com penas agravadas pela chamada Lei Sansão.

“Não desconhecemos o direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência, garantidos a todo e qualquer cidadão brasileiro. Contudo, de igual modo, não toleraremos atos que vilipendiem a legislação”, afirma trecho da nota.

A Câmara informou ainda que os fatos estão sendo apurados pelos órgãos competentes e que adotará as medidas cabíveis caso a autoria seja comprovada.

Prefeitura também se manifesta

A Prefeitura de Cidreira também divulgou uma nota oficial lamentando o episódio e reforçando o posicionamento contrário a qualquer forma de violência contra animais.

“Recebemos este episódio com tristeza e indignação, reforçando nosso compromisso com a proteção, o cuidado e o respeito à vida animal”, diz o comunicado.

A administração municipal ressaltou que as circunstâncias do caso estão sendo investigadas pelas autoridades competentes e reiterou que o município não compactua com maus-tratos ou violência contra animais.

Entidade convoca mobilização

A Associação de Proteção Animal Pega Bicho, de Cidreira, convocou a comunidade para uma mobilização na próxima segunda-feira (15), às 19h, na Câmara de Vereadores.

A associação também pede que moradores que possuam imagens de câmeras de segurança ou qualquer informação que possa auxiliar na investigação procurem a Polícia Civil ou entrem em contato com a entidade.

“Precisamos cobrar a apuração do assassinato do Branquinho e exigir medidas do poder público sobre a situação dos cães comunitários. Queremos respostas!”, destaca a convocação divulgada pela organização.

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