
Duas colônias de caravelas portuguesas, que geralmente causam queimaduras mais graves que as águas-vivas mais comuns na Costa do Rio Grande do Sul, foram encontradas nessa sexta-feira (03), na orla do município de Tramandaí, Litoral Norte do estado. A informação foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS).
De acordo com o comandante do 9º Batalhão de Bombeiros Militar (BBM), major Claudio Morais, uma delas estava na areia junto à guarita 144, nas proximidades da Avenida da Igreja, na área central da cidade. A outra caravela portuguesa foi encontrada nas imediações da guarita 160, na praia de Nova Tramandaí.
O comandante relatou ao Litoral na Rede que as duas têm tentáculos de aproximadamente dois metros de comprimento. “Nós estamos fazendo o monitoramento das praias. Deixo o alerta a todos os banhistas de não encostar e avisar os guarda-vidas se virem alguma dessas na areia ou na água”, destacou o major.
O tenente-coronel Jefferson Ecco, do CBMRS, que tem formação em Biologia e atuou durante 20 anos na Operação Verão no Litoral Norte relatou que os registros desses animais são mais esporádicos nas praias gaúchas. Segundo ele, na temporada passada houve, no máximo, seis relatos de caravelas-portuguesas na região e nenhum acidente foi informado.
Ecco salienta que o mar é o habitat dessas espécies. “Elas estão no lugar delas, nós é que somos os invasores”, disse o oficial. O tenente-coronel sugere ainda que as pessoas levem no seu kit de praia uma garrafinha com vinagre para ser usado em caso de lesão causada por medusas.
Do dia 21 de dezembro até essa sexta-feira (03), os guarda-vidas contabilizaram 38.364 lesões por águas vivas no Litoral Gaúcho. No mesmo período da temporada passada, foram 32.855 queimaduras.
As caravelas-portuguesas
O nome científico das caravelas-portuguesas é Physalia physalis. Segundo a bióloga e professora do Curso de Biologia Marinha, do Campus Litoral Norte da UFRGS, Carla Menegola, a foto registrada pelos bombeiros em Tramandaí, trata-se de um indivíduo adulto, pelas dimensões e pela estrutura da colônia, repleta de indivíduos modificados e especializados em distintas funções como nutrição, reprodução, captura de presas e proteção da colônia.
“É muito comum ver espécimes grandes assim em águas tropicais como no Nordeste por exemplo. Aqui as de grande porte são mais raras, mas indivíduos pequenos aparecem com frequência nas praias do Litoral Norte e mesmo ao sul do estado do Rio Grande do Sul, como por exemplo na praia do Cassino, em Rio Grande”, explicou a pesquisadora.
Conforme a professora da UFRGS, a espécie conhecida popularmente caravela portuguesa é representada por colônias cujos indivíduos são muito pequenos e carregados flutuando na superfície da água por meio do pneumatóforo, uma espécie de balão, que fica na parte superior.
Já as mãe d’água ou águas-vivas são formadas por apenas um indivíduo, ou sejam, são indivíduos solitários. Existem dois grupos bem distintos, as hidromedusas e as cifomedusas.
Nas cifomedusas, que são maiores, os tentáculos são mais longos e ainda existem os braços orais, expansões cheias de dobras ou sulcos que contornam a abertura da boca do animal.
“Tanto os tentáculos quanto os braços orais contêm muitas células urticantes chamadas cnidócitos, que carregam um cordão geralmente armado com espinhos, e com toxinas que apresentam potencial ação alergênica e que causam queimaduras em níveis variados, a depender da sensibilidade e predisposição de cada pessoa a alergias”, detalhou Carla.
A pesquisadora lembra que o quadro clínico dos acidentes por cnidários, como águas vivas e caravelas, depende da ação dermonecrótica (lesões na pele) e neurotóxica (lesões no sistema nervoso) do veneno, manifestando-se por placas lineares ou arredondadas eritematosas e dor intensa local e instantânea.
Pode ainda haver náuseas, vômitos, dispneia, arritmias cardíacas, e edema agudo pulmonar nos casos mais graves, geralmente com cubomedusas, que são muito raras em águas costeiras, embora ocorram no Brasil.
A professora Carla Menegola destaca que as medidas de primeiros socorros para acidentes por águas-vivas devem utilizar compressas de água do mar gelada ou aplicação de bolsas de gel utilizadas para conservar vacinas e soros, para controle da dor. Além disso, banhos de vinagre no local atingido desnaturam o veneno.
Ela recomenda que a lesão nunca seja lavada com água doce pois isto faz com que as células urticantes, que ainda estão íntegras, liberem o seu conteúdo, aumentando a área da queimadura e, consequentemente, a dor.
Ela orienta ainda “jamais esfregar o local porque algumas dessas células urticantes ficam na pele das pessoas atingidas e, quando estas esfregam o local, elas “estouram” e liberam as toxinas. Havendo dor persistente e incontrolável, dispneia, tosse, coriza, taquicardia ou arritmias, pode-se estar diante de quadros mais graves que necessitam atendimento hospitalar imediato”, orienta a bióloga.
Para receber as notícias do Litoral na Rede no seu Whatsapp, envie seu nome, o seu município e #notícias para 51-99113-0101 e coloque nosso número na sua agenda.










