
A morte repentina do gari Fabrício de Oliveira Rodrigues, de 26 anos, atingido por um raio em Tramandaí no dia 29 de janeiro deste ano, deixou uma família mergulhada no luto e duas crianças muito pequenas sem o pai. Agora, pouco mais de um mês após a tragédia, amigos e familiares se mobilizam em uma campanha solidária para garantir que o maior sonho do jovem — a casa que construía pensando nas filhas — não se perca e possa se tornar um lar seguro para as meninas.
A iniciativa pretende arrecadar cerca de R$ 10 mil. O objetivo é quitar a parte restante do imóvel e realizar reformas essenciais na residência que Fabrício estava construindo para morar com as filhas. As meninas, Ana Luiza e Marília Cecília, têm um e dois anos de idade e estão morando com a mãe, com quem o jovem se relacionou no passado.
Segundo a família, cerca de 80% do parcelamento da casa já havia sido pago por Fabrício. A campanha busca levantar R$ 4 mil para quitar o restante da dívida, evitando o risco de perda do imóvel por alienação fiduciária, e R$ 6 mil para reformas urgentes, principalmente no telhado e nas aberturas da casa.
Mais do que concluir uma obra, a família vê a iniciativa como uma forma de preservar o legado deixado pelo jovem. O imóvel fica localizado no bairro Restinga, na Zona Sul de Porto Alegre.
“Não se trata apenas de uma construção física, mas da preservação do legado de um pai, da dignidade de uma família e do direito básico dessas meninas a um teto seguro”, destacam os organizadores da campanha.
Uma perda que marcou a família
Fabrício morava em Porto Alegre, mas havia se mudado para Tramandaí para trabalhar, ficar mais perto das filhas e juntar dinheiro para concluir a casa onde pretendia viver e dividir o tempo com as meninas. Ele estava casado havia nove meses.
O jovem trabalhava como gari na Cooperativa de Trabalho de Tramandaí e Região Sul (Cootratram) havia menos de dois meses quando foi atingido por uma descarga elétrica durante um temporal na região da Avenida Beira-Mar, nas proximidades do Terminal Turístico.
Na tarde daquele 29 de janeiro, após encerrar o expediente, ele foi até a beira da praia com quatro colegas de trabalho. Por volta das 16h, uma forte descarga elétrica atingiu o local. Fabrício entrou em parada cardiorrespiratória e recebeu atendimento de guarda-vidas, bombeiros e equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), sendo levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tramandaí, mas não resistiu.
A tragédia abalou profundamente familiares e amigos. A irmã do jovem, Flávia Jéssica de Oliveira Rodrigues, conversou com o Litoral na Rede neste sábado (7). Ela descreve Fabrício como alguém que sempre esteve presente na vida da família.
“O Fabrício sempre foi presente, sempre tentou proteger as irmãs dele. A gente se amou entre seis. Ele era o único menino à nossa volta, são cinco gurias e um guri. Ele sempre fez o papel dele de irmão e queria fazer o papel de pai também”, relatou.
Segundo ela, o impacto da perda tem sido especialmente duro para o pai da família.
“Ele era uma pessoa maravilhosa e está sendo muito difícil para a gente, principalmente para o meu pai, porque ele era muito presente para ele. Eles eram muito amigos. Meu pai chora todas as noites”, contou.
Flávia ainda relata que o pai enfrenta problemas de saúde e não consegue trabalhar.
“Para nós está sendo difícil. Difícil mesmo. Meu pai não consegue trabalhar e não tem nem condições de trabalhar, porque ele tem problema na coluna”, completou Flávia Jéssica.
Saiba como ajudar
A campanha de arrecadação está sendo organizada pela irmã de Fabrício, com o auxílio de um bombeiro militar que atendeu o pai do jovem quando ele procurou ajuda no quartel de Tramandaí em meio ao luto profundo.
A mobilização busca transformar a dor da perda em apoio concreto às duas crianças que ficaram sem o pai. As doações podem ser feitas via Pix (chave telefone ou CPF):
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Telefone: (51) 98614-0578
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CPF: 063.094.870-43
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Nome: Flávia Jéssica de Oliveira Rodrigues










