"Atiraram na direção dele, não se equivocaram", diz mãe de menino assassinado dentro de casa em Imbé

“Atiraram na direção dele, não se equivocaram”, diz mãe de menino assassinado dentro de casa em Imbé

Em entrevista exclusiva, Fabiene Dubal fala sobre julgamento do acusado de matar Brayan, de 6 anos, questiona investigação e relata mudança de cidade por medo de represálias

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Brayan Vidal Ferreira foi morto a tiros dentro de casa. Foto: Arquivo pessoal

Pouco mais de 1,3 mil dias se passaram. E, nem por um instante, a saudade e o desejo de justiça se afastaram dos pensamentos de Fabiene Dubal, mãe de Brayan Vidal Ferreira, de seis anos, assassinado a tiros dentro de casa em Imbé. O julgamento de um dos acusados de ter cometido o crime acontece na próxima quinta-feira (12), cerca de três anos e meio após o caso bárbaro.

A tragédia destruiu a família. Em entrevista exclusiva ao Litoral na Rede, Fabiene relembrou o crime, criticou pontos da investigação e disse que vive há quase quatro anos tentando lidar com a perda do filho.

“Esses quase quatro anos têm sido de muita tristeza e sofrimento. Não vivemos mais, apenas sobrevivemos na fé de que os culpados paguem pela barbaridade”, disse em conversa com a reportagem.

O julgamento do acusado, de 38 anos, acontecerá no Salão do Júri do Foro de Tramandaí, em sessão presidida pelo juiz Gilberto Pinto Fontoura. O réu responde por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e contra menor de 14 anos — além de tentativa de homicídio contra o pai da criança, o sargento da reserva remunerada Alexandre de Jesus Ferreira, que também foi atingido durante o ataque.

A investigação inicial apurou que o alvo dos assassinos era um colombiano, companheiro da neta do PM, que estava na residência. À época, a Polícia Civil (PC) também apurou que o ataque teria relação com outro crime que aconteceu dias antes na Estrada do Mar, em Capão da Canoa, quando outro colombiano, Carlos Orlando Segura Murillo, 30 anos, foi morto a tiros. O alvo do ataque e os criminosos estariam envolvidos em suposto esquema de agiotagem.

Fabiene, no entanto, afirma que os atiradores buscavam por outro colombiano, e que o companheiro da neta de Alexandre não teria relação com os criminosos. Para ela, a principal angústia da família ainda é entender por que o filho acabou sendo alvo dos disparos.

“A única coisa que queremos são respostas do porque matar uma criança de seis anos que não oferecia nenhum risco a eles. Os tiros foram intencionais, atiraram três vezes na direção dele, em nenhum momento se equivocaram”, afirmou.

Criminosos invadiram a casa e efetuaram mais de 50 disparos. Foto: Divulgação / Arte / Litoral na Rede

Família deixou Imbé após o crime

O trauma provocado pela morte do menino fez com que a família deixasse Imbé. Ela e o marido se mudaram para outra cidade pouco depois do crime.

“Em outubro vai fazer quatro anos que saímos de Imbé. Saímos da cidade porque não conseguimos mais voltar para a casa que vimos nosso filho crescer e também por medo de represálias, já que eu identifiquei um dos invasores”, relatou.

Segundo ela, o casal acompanha de perto o andamento do processo. Fabiene e Alexandre acreditam que o julgamento pode representar ao menos parte da justiça esperada pela família.

“Acredito que ele será condenado e que uma parte da justiça será feita, tem vários indícios e tem o reconhecimento do acusado”, disse. “Nós iremos ao julgamento, fomos notificados como testemunhas. E mesmo que não fôssemos testemunhas iríamos de qualquer forma”, complementa Fabiene.

Questionamentos sobre a investigação

A mãe de Brayan também afirma que o avanço das investigações só ocorreu porque a própria família buscou provas. Ela também espera que os demais envolvidos no ataque sejam identificados e condenados.

“Acompanhamos o processo. Não estamos satisfeitos pelo fato de não ter sido dada a importância devida. Se não fosse eu e meu marido irmos atrás de câmeras que tivessem gravado as movimentações da quadrilha naquele dia, nem esse que vai a julgamento teria sido pego”, declarou. “Esperamos que a justiça seja feita e que o mais breve possível os outros invasores sejam presos e condenados”, completou.

O crime

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o crime ocorreu na noite de 7 de agosto de 2022, quando o acusado teria invadido a residência da família acompanhado por outros dois homens ainda não identificados.

Segundo a acusação, o grupo procurava um homem que estaria no local e teria ligação com um homicídio ocorrido dias antes em Capão da Canoa. Durante a ação, os invasores efetuaram mais de 50 disparos em direção aos fundos da casa, onde estavam o menino e o pai.

Brayan foi atingido na cabeça e morreu. O pai da criança foi baleado no braço, mas sobreviveu.

Para o Ministério Público, a morte do homem só não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade dos atiradores, como a falta de munição.

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