
Um levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) revela que o aumento no preço e a dificuldade de acesso ao óleo diesel já impactam a rotina de prefeituras em todo o Estado. Segundo a pesquisa, 45% dos municípios relatam prejuízos na prestação de serviços públicos desde o início da crise.
O estudo, divulgado na quinta-feira (2), foi respondido por 215 prefeituras gaúchas e aponta que, entre elas, 96 municípios precisaram reduzir ou interromper atividades. As áreas mais afetadas são obras (46%) e agricultura (25%), seguidas por educação (15%), infraestrutura (5%) e saúde (4%). Outros 5% informaram impacto generalizado, mantendo apenas serviços essenciais.
Apesar disso, a maioria das cidades ainda registra abastecimento considerado normal (56%) ou com oscilações (38%). A falta efetiva de diesel ocorre em 6% dos municípios. Por outro lado, o preço elevado do combustível é praticamente unanimidade: 86% das prefeituras apontam valores altos ou muito altos.
A presidente da entidade e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, alertou para os efeitos diretos da alta do diesel na gestão pública.
“A alta contínua do preço do diesel preocupa porque atinge diretamente a capacidade de prestação de serviços essenciais nos municípios. É o diesel que move as máquinas das obras, o transporte de insumos e a logística da produção agrícola. Além disso, o encarecimento também chega aos fornecedores, pressionando ainda mais os orçamentos públicos. Na prática, essa situação se traduz em maior dificuldade para garantir a entrega dos serviços à população”, afirmou.
Serviços priorizados
Diante do cenário, muitas administrações municipais têm adotado medidas de contenção. A prioridade tem sido manter serviços essenciais, especialmente na área da saúde, como o transporte de pacientes.
Em contrapartida, atividades que dependem de maquinário pesado, como obras e manutenção de estradas, vêm sendo reduzidas ou suspensas temporariamente.
O levantamento reforça o impacto direto da crise do diesel na rotina dos municípios e acende um alerta para possíveis reflexos ainda mais amplos na prestação de serviços públicos, caso o cenário persista.










