





O Verão 2019 tem garantido dias de mar bem limpo e com água quente no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Nesta semana, o cenário se repetiu e nas redes sociais não faltam comparações com as praias de Santa Catariana, do Nordeste do Brasil e até do Caribe. A interpretação é de cada uma, mas que o mar da região está espetacular, não dá pra negar.
Correntes marinhas e ventos influenciam condições do mar no RS
Todo mundo torce para chegar na praia e não encontrar o “mar chocolatão”. Mas afinal, porque a água muda tanto de um período para o outro? O Litoral na Rede consultou a química oceanógrafa do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar/ Ufrgs), Cacinele Rocha. Ela explicou que dois fatores principais influenciam as condições do mar: as correntes marinhas e o vento.
O Rio Grande do Sul tem influência de duas correntes marinhas: a do Brasil, que vem do Norte, e a das Malvinas, proveniente do Sul. “Uma delas, que vem lá da Antártida, é uma água fria cheia de nutrientes. Então ela dá oportunidade das algas se proliferarem quando elas chegam aqui no Litoral no Rio Grande do Sul”, explicou a especialista.
Segundo Cacinele, esta corrente deixa a água do mar com aspecto mais escuro. “Isso justifica aquele mar mais escurecido. Na verdade não é a água que está escurecida, é a presença das algas”, salientou.
Mas, nos últimos dias, quem está na área é a corrente do Brasil. “Ela é oriunda do Equador, por isso é quente. E ela ao contrário da corrente das Malvinas, que vem do Sul, não tem tantos nutrientes e acaba não dando a oportunidade de que as algas se desenvolvam tão bem”, esclareceu Cacinele.
O vento também afeta as condições do mar. A ausência dele nos últimos dias tem relação direta com o aspecto da água no Litoral Gaúcho. “Isso vai influenciar pra que a água esteja mais clama na beira-mar, não tenha esta formação de onda forte que vai mexer com o sedimento, com a areia, que também poderia causar um aspecto de água mais escura” detalhou a química oceanógrafa.
De acordo com Cacinele, não é possível prever por quanto tempo a água mais transparente e quente irá predominar. “Vai depender da corrente do Brasil, se ela vai se manter ou se ela vai perder força”, esclareceu a pesquisadora. Também é preciso estar de olho no clima. “Quando a gente tem uma entrada de uma frente fria, de instabilidade, por exemplo, pode mudar (as condições do mar)”, concluiu.
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