
O acusado de um dos casos de feminicídio de maior repercussão no Litoral Norte do Rio Grande do Sul nos últimos anos será submetido a júri popular em Osório. Marco do Nascimento Falavigna, de 39 anos, é réu por assassinar Nara Denise dos Santos, de 61 anos, e concretar seu corpo dentro de uma geladeira há pouco mais de dois anos.
O julgamento está marcado para esta quarta-feira (8), às 9h30, no Fórum da Comarca de Osório. Familiares e amigos da vítima planejam uma manifestação silenciosa antes do início da sessão, a partir das 8h30, em frente ao prédio do Poder Judiciário, na Avenida Jorge Dariva.
“Este julgamento representa um momento de grande importância para a família e para a sociedade, especialmente no que diz respeito ao enfrentamento à violência contra a mulher e à busca por justiça”, diz nota enviada por familiares de Nara ao portal Litoral na Rede.
O feminicídio em 2024
O corpo de Nara Denise foi encontrado concretado dentro da geladeira da casa onde ela vivia, no bairro Sul-Brasileiro, em Osório, no fim da madrugada de 6 de janeiro de 2024. Inicialmente, o réu procurou a Brigada Militar (BM) na cidade de Imbé e contou que havia encontrado a companheira morta e concretada dentro da geladeira do imóvel.
Policiais o acompanharam até a residência na Rua Pinheiro Machado, em Osório, onde confirmaram o relato. Ele confessou a autoria do crime, sendo preso e autuado em flagrante. Desde então, o homem permanece na Penitenciária Modulada de Osório.
Conforme denúncia do Ministério Público, Marco matou a companheira por motivo fútil, em função de uma discussão, e por asfixia. A acusação durante o julgamento será realizada pelo promotor de Justiça Sávio Vaz Fagundes.
Quem era a vítima
Nara Denise dos Santos, de 61 anos, era servidora pública aposentada. Atuou por mais de 20 anos no setor administrativo da Prefeitura de Osório e, em função da forte ligação com causas sociais, ingressou na militância política. Ela concorreu por duas vezes ao cargo de vereadora — a última em 2020, quando fez 108 votos pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Pretendia, inclusive, colocar seu nome à disposição da legenda para as eleições municipais de 2024, ano em que foi assassinada.

Uma semana após a morte de Nara Denise, familiares e amigos fizeram uma manifestação em memória da vítima. Entre balões, faixas e pedidos de justiça e atenção aos sinais de violência que possam desencadear novos casos de feminicídio, um grupo de aproximadamente 200 homens e mulheres caminhou por ruas e avenidas de Osório no dia 13 de janeiro de 2024.










