A superbactéria que causou a morte de um bebê e o fechamento de UTI neonatal em Porto Alegre

A superbactéria que causou a morte de um bebê e o fechamento de UTI neonatal em Porto Alegre

Caso aconteceu no Hospital Fêmina; Acinetobacter baumannii é resistente à maioria dos antibióticos disponíveis

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Hospital Fêmina em Porto Alegre fechou UTI neonatal devido à superbactéria. Foto: GHC / Arquivo

O fechamento da UTI neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre, foi motivado pela infecção por uma superbactéria resistente à maioria dos antibióticos disponíveis. Além da suspensão do atendimento na unidade, a Acinetobacter baumannii causou a morte de um bebê extremamente prematuro, de 26 semanas de gestação.

De acordo com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), 34 pacientes estavam internados na unidade e quatro tiveram resultado positivo. O caso veio à tona nesta terça-feira (21). A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) esclarece que se trata de um agente oportunista, associado a infecções em pacientes críticos, especialmente em unidades de terapia intensiva, onde há maior uso de dispositivos invasivos e permanência prolongada.

Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a Acinetobacter baumannii como um patógeno de prioridade crítica (o mais alto nível de ameaça), exigindo urgência no desenvolvimento de novos antibióticos. De acordo com a OMS, essa bactéria é uma das principais causas de infecções hospitalares fatais e multirresistentes.

Bactéria oportunista

O infectologista pediátrico associado da SPRS, Derrick Alexandre Fassbind, explica que a bactéria pode ser encontrada no ambiente, inclusive em locais com água e umidade, mas tende a causar infecção principalmente em pessoas com maior fragilidade clínica. Em pacientes saudáveis, o risco é baixo. Já em ambientes hospitalares, especialmente em UTIs (adulto, pediátrica e neonatal), ela encontra condições propícias para colonizar equipamentos e superfícies, o que exige protocolos rigorosos de prevenção e controle.

“O Acinetobacter baumannii é uma bactéria oportunista, que encontra maior chance de causar infecção em pacientes muito vulneráveis, como recém-nascidos prematuros extremos, pessoas com imunidade reduzida e pacientes em estado crítico que dependem de ventilação mecânica, sondas e cateteres. Nessas situações, o risco não está na circulação comunitária, mas no ambiente hospitalar, onde há necessidade de vigilância contínua, higiene rigorosa das mãos, desinfecção de superfícies e uso adequado de protocolos assistenciais”, salienta o médico.

Segundo o especialista, as UTIs neonatais reúnem uma combinação de fatores que torna esse cuidado ainda mais complexo. Os bebês internados nesses setores, em geral, nasceram prematuros ou apresentam complicações importantes, o que significa um organismo ainda imaturo e com menor capacidade de defesa. Além disso, permanecem internados por longos períodos e demandam manipulação constante por profissionais de saúde e familiares.

Risco no ambiente hospitalar

O presidente da SPRS, Marcelo Pavese Porto, destaca que é fundamental considerar o contexto clínico desses pacientes. “É importante frisar sempre que bebês prematuros extremos, como esse que não resistiu, apresentam um risco naturalmente maior em função da imaturidade imunológica e de todas as possíveis complicações inerentes à própria prematuridade”, afirma.

A entidade médica também ressalta que não há indicação de risco para a população em geral fora do ambiente hospitalar. A preocupação maior está concentrada em pacientes internados e no cumprimento rigoroso dos protocolos de controle de infecção. “O esclarecimento técnico é fundamental para evitar alarmismo, combater a desinformação e contribuir para uma compreensão mais precisa sobre o que deve ser feito em situações como esta”, diz a SPRS.

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