
Quase seis anos após o crime, a mulher acusada de matar o bebê recém-nascido e deixar o corpo em uma lixeira, começará a ser julgada pelo Tribunal do Júri de Tramandaí nesta quinta-feira, dia 1º de junho.
Denunciada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a ré, atualmente com 34 anos, responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver.
Conforme o MPRS, serão ouvidas quatro testemunhas, sendo três do Ministério Público e uma da defesa. Em seguida, haverá o interrogatório da ré, momento que antecederá o início dos debates, quando MP e defesa terão, cada um, uma hora e meia para suas manifestações. Se houver réplica e tréplica, o tempo será de uma hora cada.
A acusação em plenário será feita pelos promotores de Justiça André Luiz Tarouco Pinto e Karine Camargo Teixeira.
O crime
A mulher, cuja identidade não foi divulgada, foi acusada de utilizar cintas abdominais, shorts com extensão abdominal e protetores de seios para ocultar do companheiro e dos familiares a sua gravidez.
Conforme narra o MP, em 11 de junho de 2017, por volta das 23h, ao entrar em trabalho de parto, ela foi até o banheiro do andar de baixo da residência onde morava com o companheiro e outros familiares, no bairro Zona Nova, em Tramandaí, e deu à luz a uma criança do sexo masculino.
Para matar o recém-nascido, explica o Ministério Público, ela o asfixiou enfiando uma bucha de papel na sua boca. Posteriormente, colocou o bebê e a placenta em uma sacola plástica e deixou no armário do banheiro. Para maquiar os barulhos e eventual choro do bebê, ligou o secador de cabelos e o chuveiro. Depois, limpou todo o banheiro.
O crime foi cometido mediante asfixia e por motivo torpe, pois a intenção da ré era não estabelecer qualquer vínculo afetivo com o filho, argumenta o MP.
“Ela praticou o crime contra um recém-nascido, incapaz de esboçar qualquer tipo de defesa contra a agressão perpetrada. Ainda dificultou qualquer possibilidade de alguém perceber o crime ao acionar chuveiro e ligar secador de cabelos, propagando barulhos que impediram que as pessoas presentes tomassem ciência dos fatos e agissem em defesa do recém-nascido”, disse o promotor.
No dia seguinte, por volta das 13h30, a mulher teria ocultado o cadáver do filho, colocando a sacola com a placenta e o corpo em uma lixeira localizada na Avenida Rubem Berta, em Tramandaí. Um reciclador acionou a Brigada Militar (BM) quando encontrou o bebê em meio ao lixo.










