
Está presa a mulher suspeita de provocar a morte de duas pessoas após a aplicação de silicone industrial no Rio Grande do Sul. Bruna Belém da Silva Souza, de 43 anos, foi detida durante uma operação em Castanhal, no nordeste do Pará. Uma das mortes investigadas ocorreu em março deste ano, em Capão da Canoa, no Litoral Norte.
De acordo com a Polícia Civil (PC), Bruna foi presa na casa da mãe, no último sábado (1º), durante etapa do Projeto Cumpra-se. Ela estava foragida desde março, quando se tornou ré em dois processos que investigam a aplicação clandestina de silicone industrial para fins estéticos — prática que já havia resultado em duas mortes anteriores, segundo apontaram as investigações.
A prisão é resultado da troca de informações entre órgãos de inteligência do Ministério Público do RS, Ministério Público do Pará, Brigada Militar e forças de segurança paraenses.
“A importância da medida reside na prevenção da reiteração criminosa da ré. A atuação integrada impediu a continuidade dos crimes e permitirá que ela responda judicialmente pelas duas mortes. Agora, o próximo passo é trazer a presa ao Rio Grande do Sul para que responda por essas duas acusações de homicídio doloso”, afirmou o promotor Marcelo Tubino, coordenador do Centro de Apoio Operacional do Júri do MPRS.
Interrogatório policial
Em conversa com a reportagem do Litoral na Rede na manhã desta sexta-feira (7), o titular da Delegacia de Capão da Canoa, delegado Marco Swirski, disse que Bruna ainda não foi interrogada. Ela é investigada por homicídio qualificado e exercício irregular da medicina.
“Vamos encaminhar uma carta precatória ao Pará para realização do interrogatório. Ela responde por dois processos de homicídio aqui no RS. Em algum momento deve ser transferida para o julgamento”, afirmou.
A suspeita, também investigada por outra morte semelhante ocorrida em 2018, em Porto Alegre, deverá ser encaminhada ao Rio Grande do Sul nos próximos dias.
Relembre o caso
No dia 23 de março de 2025, Karoline Vinhas Velasques, de 56 anos, morreu após a aplicação de silicone nos glúteos dentro de seu apartamento, no Centro de Capão da Canoa. Karoline era transexual e havia buscado Bruna em Porto Alegre para realizar o procedimento estético de forma clandestina.
Karoline chamou uma amiga, também transexual, para acompanhar o procedimento — mesmo sabendo que Bruna já tinha histórico de outras duas mortes decorrentes do mesmo tipo de aplicação.
Um dia antes da morte, as três estiveram em um terreiro em Santo Antônio da Patrulha, onde passaram por um ritual espiritual de “proteção”. Segundo relato da amiga, o pai de santo teria afirmado que “tudo correria bem”.
Durante a aplicação, Karoline começou a passar mal. Bruna pediu água, depois leite com sal, alegando que ajudaria. O quadro piorou rapidamente.
Ao perceber que a vítima estava entrando em colapso, Bruna recolheu seus materiais e fugiu, deixando a vítima desacordada. A amiga pediu ajuda a vizinhos e acionou o SAMU, que constatou o óbito.










